setembro 11, 2006

O mundo antes do 11 de Setembro

(0675)
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maio 24, 2006

"... e vieram-me por trás! "

(0665)
Carrilho visivelmente perturbado repetiu várias vezes a frase que dá título a este post.
Eu vem previa, no post anterior, que o filósofo estava bem fodido.

Publicado por Patrick Blese às 11:03 AM | Comentários (4) | TrackBack

outubro 27, 2005

Está na hora do Hara-kiri Soarista

(0353)
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"As sondagens valem o que valem", é o que costumam argumentar os políticos profissionais, especialmente, se as ditas não forem favoráveis.
No actual cenário da corrida presidencial é evidente que assitimos como que a umas Primárias, entre os vários candidatos de esquerda, que só terão tido razão de ser se conseguirem originar uma 2º volta.
Da sondagem que hoje faz a 1ª página do DN pode fazer-se a seguinte leitura:
Cavaco perto, muito perto, da vitória na primeira volta.
Para isso acontecer bastaria contar com os votos que Portas garantiria se fosse candidato.
Pressão do lado de Portas.
Os candidatos de esquerda, todos juntos, não conseguem evitar a vitória de Cavaco na 1º volta.
Alegre ultrapassa Soares.
O pai da nossa democracia não deveria ter-se posto a jeito para, em fim de carreira, ser enxovalhado desta maneira.
Dir-me-ão que em democracia não há derrotas humilhantes.
Eu acho que há e esta é uma delas.
A esquerda só pode ter uma palavra a dizer nestas eleições se conseguir arranjar um qualquer efeito multiplicador que potencie os votos de todos em favor de um dos seus candidatos.
Por outras palavras o resultado final da 1ª volta terá que ser superior à actual soma das partes.
Só há uma solução para o aparecimento desse efeito multiplicador:
O Hara-kiri de Soares.
Este, se quer salvar a esquerda, obrigando a uma 2ª volta, só tem um caminho a seguir: desistir a favor do seu amigo de 30 anos.


Publicado por Patrick Blese às 01:20 PM | Comentários (11) | TrackBack

setembro 18, 2005

Contra Alegre seria o passeio nos Champs Elyssés, na 5ª Avenida ou em Rodeo Drive

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Soares terá afirmado que, antes da sua providencial aparição, já se pensava que as eleições para Cavaco seriam um passeio na Avenida da Liberdade.
Hoje encontrei esta pérola no Bloguítica: como é possível que um blogue de referência, ainda que a título de graçola, afirme que Alegre é mais perigoso para Cavaco do que Soares?
Falemos claro: a mim, a última coisa de que me podem acusar é de ser Soarista, pelo contrário, não alimento qualquer espécie de simpatia política pelo personagem.
Não lhe admiro o passado e como futuro estava mais a vê-lo como o avô de todos os portugueses do que como o presidente de todos os portugueses.
No entanto, só por má fé, ou autismo político, é que se pode afirmar que Alegre era mais perigoso para Cavaco do que Soares.
O único cenário em que Alegre poderia ser mais perigoso para Cavaco seria no contexto de um qualquer concurso literário para o género da Poesia.
Sobre Soares, não será a mim que me verão a fazer o elogio da criatura mas, ainda assim, sempre posso dizer que considero que, em terreno aberto eleitoral, é talvez o politico português mais perigoso que alguém pode enfrentar.
Quanto a Alegre, porventura terá razões de queixa, do seu amigo de sempre, na forma como todo o processo foi conduzido, mas que diabo, sejamos razoáveis, o poeta nem perfil para administrador do seu condomínio tem, aliás não se vislumbra uma única característica que pudesse fazer dele um bom candidato à mais alta magistratura da Nação.
Seria literalmente cilindrado.

Publicado por Patrick Blese às 02:27 AM | Comentários (4) | TrackBack

setembro 06, 2005

A velha e decrépita esquerda ou um erro de casting

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Depois do inocente e crente Alegre ter sido passado a ferro pelo impiedoso e egocêntrico Soares, a velha e decrépita esquerda colocou-se em bicos de pés e apontou, em bloco e com toda a carne no assador, à mais alta magistratura da Nação.
Agora é Louça, e o seu inqualificável bando, que a reboque de Jerónimo e do PCP, ou o que resta dele, se apresenta também como pseudo-candidato, que fará campanha mas abdicará na hora da verdade.
O caminho que esta esquerda está a escolher é muito perigoso e vai trazer-lhe, estou certo disso, maus resultados eleitorais.
Nos últimos anos o caminho que Soares percorreu foi feito no sentido centro-esquerda tendo-se tornado, em muitas matérias sensíveis, uma pessoa com pontos de vista radicais e extremistas, bastando lembrar que se opôs à invasão e guerra no Iraque, que várias vezes investiu furiosamente contra a globalização que considera selvagem e baseada no capitalismo especulativo, que alimenta um ódio de estimação e visceral pela administração norte americana e que se auto-intitula um grande inimigo do capital financeiro aparecendo sempre em defesa das condições de trabalho dos trabalhadores, não evidenciando a menor preocupação pelo papel dos empregadores e criadores de emprego.
Ora este é um caminho minado e, o que resta do animal político Soares, deveria saber que, por um lado, o povo, que é sereno mas não é parvo, sabe que se as portas de Belém se lhe abrissem, Soares faria tábua rasa do seu discurso anti-capitalista e faria uma entrada triunfal no Palácio cor de rosa de mãos dadas com o seu velho regimento de interesses económicos que nunca deu sinal de ter abandonado e que agora, cínica e aparentemente, parece hostilizar; e por outro, que para ganhar a corrida presidencial precisa do centro, e ele não fez outra coisa nos últimos tempos que não fosse, justamente, fugir do centro a sete pés, com a agravante de se ter acantonado e ter vindo a ostentar as bandeiras da esquerda radical e extremista, afinal a mesma que nesta hora escolheu este caminho dos pseudo-candidatos para vir em seu auxílio.
Neste momento a esquerda radical tem três candidatos.
O centro-esquerda, o centro, o centro-direita e a direita não têm nenhum: é este o erro de casting.

Publicado por Patrick Blese às 11:11 PM | Comentários (6) | TrackBack

julho 20, 2005

O valor das palavras

(0232)
Ainda sobre a polémica da entrevista do Prof. Freitas do Amaral, gostava de lembrar que noutros tempos era notável o valor que as pessoas davam às palavras.
Hoje, as palavras servem para jogar ao gato e ao rato.
Todas as interpretações são válidas e os políticos utilizam-nas mais para justificarem os seus actos e descartarem responsabilidades do que para responderem pelas suas decisões.
É esta a política e os políticos que temos, virados agora contra o Quarto Poder.
Pobre Regime este em que o Ministro fala sem cuidado, sem critério e sem método de manhã, e de tarde, pega na arma de precisão para centrar melhor o alcance da sua mensagem.

Publicado por Patrick Blese às 12:04 AM

julho 18, 2005

Fair Trade

(0230)
Sobre o mesmo assunto, escreve BrainstormZ, no Insurgente, que "defender taxas aduaneiras é, afinal, considerar que o produto do trabalho chinês não merece o mesmo respeito que o de um trabalhador português".
Esta é para mim a questão central.
Eu sou totalmente a favor do Fair Trade e, portanto, caro Insurgente, quando por terras chinesas se trabalharem as mesmas horas diárias e semanais que se trabalham cá e for crime trabalhar antes dos 16 anos, conversaremos sobre o respeito e a dignidade dos produtos chineses, produzidos por crianças, comparativamente aos nossos, produzidos por chefes de família que têm que trabalhar, entre outras coisas para alimentarem e educarem as mesmas crianças que, no Oriente, trabalham de sol a sol, muitas vezes desde os 5 ou 6 anos.
Como é de elementar compreensão, enquanto no Ocidente, com regras laborais definidas se produz por 10, no Oriente, que produz sem regras ou com regras esclavagistas, o mesmo produto é produzido por 2.
Como não sou a favor do fecho puro e simples das fronteiras que solução preconizar senão a das taxas aduaneiras?

Publicado por Patrick Blese às 10:47 PM

junho 20, 2005

A mini- manif racista

(0189)
A manifestação nazi-racista de sábado passado, que foi superiormente controlada pela polícia, colocou no mesmo saco: Frente Nacional, PNR, CI e grupos de Skeanheads.
Quanto à manifestação, penso que o Governo Civil de Lisboa não tinha como não a autorizar, até porque, como se sabe, também as costuma autorizar aos comunistas.
Quanto ao PNR e aos verdadeiros Nacionalistas sofreram um rude golpe nas suas aspirações.
Admito que houvesse manifestantes que de uma forma pacífica quisessem apenas manifestar-se contra a imigração massiva e ilegal e pelo reforço da segurança e da autoridade policial, acontece que a imagem que passou esteve muito longe de ser essa.
Quem são os verdadeiros Nacionalistas que se revêem nesta, felizmente, mini-manif?

Publicado por Patrick Blese às 04:56 PM

junho 18, 2005

Todo um hino à imbecilidade

(0186)
O Editorial de Luís Osório na Capital.

Deixo o texto integral, na impossibilidade do link directo.
É ler e chorar por mais, sob o título: A vitória da imaginação, reza assim:

"O arrastão, afinal, não existiu. O comunicado da PSP foi precipitado, as primeiras páginas dos jornais nitidamente alarmistas, as notícias que abriram os noticiários televisivos multiplicaram os efeitos, vários comentadores falaram sobre a crescente insegurança, políticos mostraram-se consternados, e o Presidente da República não demorou a marcar uma visita ao problemático bairro da Cova da Moura. Mas a reportagem de Nuno Guedes não deixa margem para dúvidas: não houve qualquer arrastão em Carcavelos. Mais: não houve qualquer queixa registada na PSP da zona.
Estamos, ao que tudo indica, perante uma das maiores mistificações de que há memória em Portugal. Uma mistificação gerada por um racismo crescente, não só da parte dos brancos diga-se, e por um clima de insegurança que torna muito difícil imaginar o que poderá acontecer a médio prazo.
É evidente que o crescimento da área suburbana, e a sua transformação em autênticas cidades de excluídos e deserdados, provoca um efeito de "panela de pressão" que pode explodir a qualquer momento. Excluídos e deserdados, negros e não só, já estiveram mais longe do dia em que tentarão oferecer, aos que consideram privilegiados, uma prova de vida. Basta entrar num bairro problemático e ouvir os poemas ditos de improviso pelos jovens rappers; miúdos com menos de 20 anos que, assumindo-se como escravos, esperam e cantam pelo dia da libertação.
Ao mesmo tempo, nas cidades não suburbanas, a maioria de nós deseja que os negros, e os restantes excluídos, nunca abandonem os "buracos" onde vivem.
A maioria de nós, mesmo os que até defendem a coabitação racial, desejam o seu mundo livre de problemas e angústias. Crescem exponencialmente os que, sem qualquer dúvida metódica, pedem a expulsão dos não nascidos em Portugal e até dos que, nascendo cá, têm a cor negra.
Aqueles miúdos elevados à categoria de criminosos organizados - ontem o deputado Nuno Melo foi muito claro na sua declaração - foram os primeiros, pelo menos em tão larga escala, a pagar o preço por serem negros e, como tal, indesejáveis.
O comunicado da polícia foi precipitado porque feito a quente por alguém que não duvidou de que eles pudessem ter feito aquilo. As primeiras páginas dos jornais foram alarmistas porque todos foram atrás de todos. Os noticiários televisivos transformaram as imagens que não tinham em relatos virtuais, os comentadores e políticos não procuraram investigar, e Jorge Sampaio, e muito bem, marcou uma visita à Cova da Moura porque fez fé de que tudo era verdade.
Só que tudo isto não aconteceu da forma como foi contado. Tudo isto aconteceu porque há cada vez menos pessoas a questionarem-se sobre as coisas, porque há cada vez mais pessoas a olhar para a realidade como uma verdade adquirida e não problematizável. Aconteceu também porque a maioria de nós, e não me estou a excluir totalmente, é racista. Mesmo quando está convencida do contrário. Se não o fôssemos, chegaríamos facilmente à conclusão de que um arrastão é feito por 40 ou 50 pessoas no máximo, não por 400 ou 500. "
Assina, Luís Osório

No meio de todo este disparate o homem ainda teve o discernimento de se afirmar racista.
Eu, apesar da confissão, não acredito, nem nisso, nem na sanidade mental do Senhor Director da Capital.


Publicado por Patrick Blese às 12:44 AM

junho 15, 2005

O Estado gosta de celebrar o inimigo

(0183)
A extrema-esquerda e a esquerda têm louvado Cunhal.
Nada a obstar, são os seus amigos de sempre, outra coisa não seria de esperar.
O que não é aceitável é que a direita e o Estado democrático estejam a homenagear Cunhal como um democrata e um humanista.
Como se o revolucionário fosse humanista e o adepto dos regimes totalitários fosse democrata.
Como é possível?
Cunhal devia ser lembrado às gerações vindouras como um derrotado.
Os seus conceitos de amplas liberdades e do socialismo democrático foram derrotados.
O seu sovietismo foi derrotado.
E em final de vida, a herança que deixa ao seu amor de toda a vida, o PCP, é Jerónimo de Sousa.
Que há para homenagear?

Publicado por Patrick Blese às 04:40 PM

junho 13, 2005

O Arrastão, o perigo da Xenofobia e a Insegurança

(0170)
A última coisa de que precisamos é que os nossos filhos cresçam numa sociedade xenófoba.
É um erro dizermos que os responsáveis pelo Arrastão são os africanos – pela injustiça da generalização – até porque, em Carcavelos, no meio da molhada, também havia vários polícias africanos, e de resto, esses portugueses, polícias e ladrões,que são pretos de pele, são quase todos portugueses de Portugal, que nasceram cá e se governam com as nossas escolas e as nossas televisões, que também são deles.
Não são africanos de Angola, de Cabo Verde ou de Moçambique, são antes, na sua larga maioria, africanos da Maternidade Alfredo da Costa, ali a São Sebastião da Pedreira.
No entanto, há que admitir, sem rodeios, duas coisas: que vivemos numa sociedade onde o racismo existe subtilmente infiltrado no quotidiano e que muitas vezes os africanos, ou pretos, ou o que lhe quiserem chamar, são os principais impulsionadores desse racismo; e que, em Carcavelos, pelas imagens e fotografias que vimos, cerca de 90% dos marginais, eram sem margem para dúvidas, africanos.
O risco da Xenofobia existe, é real, está à vista e tem condições para crescer exponencialmente, diria que, na razão inversa dos índices de insegurança.
O que fazer a estes marginais - brancos, pretos, amarelos, azuis - é a grande questão.
Construir um muro, com portagem para entrar e sair, na Cova da Moura e no 6 de Maio, resolvia o problema?
Mandar embarcar as últimas 3 gerações de imigrantes africanos, resolvia o problema?
Construir uma prisão de alta segurança, com a massa do tuga trabalhador, e encarcerar perpetuamente esta corja de marginais, resolvia o problema?
Ou há outros caminhos?

Publicado por Patrick Blese às 01:54 AM

O Arrastão e o factor surpresa

(0169)
Os acontecimentos de Carcavelos, fizeram-me lembrar o General de La Palice, o tal que morreu em Pavia e que um quarto de hora antes ainda estava vivo.
Fiquei espantado com o ar de estupefacção dos nossos jornalistas e dos nossos políticos, em geral, que consideram a hipótese de se tratar de um caso isolado.
Então o que se passa diariamente nas linhas ferroviárias suburbanas de Cascais e Sintra não é um aviso?
E um aviso sério?

Eu não fiquei surpreendido com o carácter organizado da coisa, facto que nos remete directamente para os factores de exclusão de ordem económica e para a enorme dificuldade de integração social dessas famílias, na sua larga maioria, de imigrantes africanos.

Publicado por Patrick Blese às 01:49 AM

junho 02, 2005

Geração invertida

(0158)
Ainda a propósito do Dia Mundial da Criança, recordo-me de que esta semana o Correio da Manhã, se não estou em erro, anunciava em letras garrafais na primeira página que faltam 50000 crianças em Portugal e que os portugueses não querem ter filhos.
Há que amiti-lo sem rodeios:
as sociedades ocidentais, mormente as europeias, estão em plena espiral de decadência muito por fruto de não se fazerem filhos.
As prioridades dos jovens adultos estão bem definidas e na maioria dos casos invertidas.
As pessoas pensam na casa, no carro, na carreira e no sucesso profissional e social, não pensam nos filhos, tão pouco em entregarem-se aos outros.
Constroem a vida à volta de si mesmas e do seu umbigo, apenas para elas.
Quando estas gerações perceberem que aquilo que conseguiram não se entregando aos outros e não tendo filhos é uma mão vazia e outra cheia de nada; quando perceberem que estão a caminhar, irremediavelmente, para uma terrível solidão, será tarde demais.

Publicado por Patrick Blese às 12:01 PM

maio 18, 2005

Os betinhos da Extrema-Esquerda

(0131)
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Quatro razões se conjugam e me motivam para escrever sobre aquilo a que pomposamente chamarei:
Breve Enquadramento Sociológico dos Militantes do Bloco de Esquerda.
A primeira, tem a ver com a entrevista que, ontem, Sá Fernandes concedeu ao Público no âmbito da sua candidatura à Presidência da CML, onde o “providencial cauteleiro” desbobina um chorrilho de tolices, com especial incidência nos problemas do trânsito e no destino do Parque Mayer, só ao alcance de um verdadeiro irresponsável que desconhece para onde corre, sendo, que é justamente à boleia deste incendiário em busca de protagonismo que o Bloco de Esquerda pretende chegar à CML.
A segunda, prende-se com o facto de ter estabelecido aqui no estamine um breve contraditório com o Barnabé Daniel Oliveira à volta da última convenção do Bloco.
A terceira, decorre da leitura do artigo de Miguel Sousa Tavares , também no Público, onde o eminente colunista conclui que: "esta gente não é séria”, referindo-se ao Ayatolah Daniel em particular, e aos Bloquistas, em geral.
A quarta, passa pela necessidade, que sinto imperiosa, de elucidar os leitores porventura mais incautos, de quem é e o que representa, de facto, esta rapaziada do Bloco de Esquerda.
Vamos lá então ao que interessa:
“Anda meio mundo a enganar o outro meio”, é uma expressão recorrente quando se pretende definir o modelo de sociedade em que vivemos.
Esta frase ganha um novo fôlego quando se fala do Bloco.
Começo por distinguir entre dirigentes, acólitos e assessores da organização, que são um conjunto de jovens lobos, famintos de tacho, de reconhecimento e de exposição mediática e uma imensa multidão de seguidores e militantes que não passam de betinhos que, transitoriamente, enquanto não crescem e “se fazem à vida”, vão engrossando as fileiras bloquistas.
E é sobre esta imensa multidão de jovens anónimos de que vos quero falar: lembram-se da figura dos betinhos da Praça de Londres, da Mexicana, do Vává, do Filipa (em Lisboa) e do Foco, do Carolina, do Lúmen e de Damião de Góis (no Porto)?
Lembram-se?
Pois bem, muitos deles são agora os militantes do Bloco de Esquerda.
São os mesmos, mas mascarados.
Transformaram-se.
Fizeram um make-up e são agora os betinhos da extrema-esquerda.
Não vendem ideias preferem vender ilusões.
Para melhor interpretarem o seu papel adoptaram uma roupagem de meninos da moda e de frequentadores do Bairro Alto, sendo muitos deles provenientes de famílias bem, da média e alta burguesia urbana, que têm necessidade de ser do contra para chatear os “velhotes” e de se encontrarem para fumar umas ganzas, mostrar as tatuagens não definitivas do Che, apanhar umas beatas e trocar cd´s alternativos.
Muitos deles, e delas, inclusive, deixaram de sentir necessidade de tomar banho, com todas as consequências que daí advêm para o indesejável incremento da esperança de vida dos ovos do piolho da cabeça, vulgo lêndea, e para a estatística dos índices negativos de saúde pública.
São estes, grosso modo, os militantes do Bloco.

Publicado por Patrick Blese às 01:12 AM

O segredo do sucesso transitório do Bloco de Esquerda

(0130)
A génese da Extrema-Esquerda que o Bloco representa é elitista e singra porque vende a ilusão de ser um partido “moderno”, “fracturante com o sistema”, “ aberto”, “defensor das minorias oprimidas” e apologista “do relativismo moral generalizado”.
O Bloco não é, ao contrário do que apregoa, um partido de bases, do proletariado, que represente a classe trabalhadora, é antes, um partido com quadros e militantes provenientes da média e alta burguesia urbana, onde se defendem conceitos teóricos que não têm correspondência com o que praticam no quotidiano.
A constatação desta evidência traduz-se no facto de que quem fala pelo Bloco é gente que está bem na vida, o que conduz a que a organização seja um movimento pedante, que se arroga uma superioridade moral e intelectual insuportável e intolerável e que tem crescido, por um lado, à custa da pregação da sua doutrina libertária e, por outro, pelo recurso à utilização de uma espécie de cartilha maternal que usa e abusa do recurso à aversão à economia de mercado e à manipulação de factos para atingir objectivos políticos.
Esta fórmula, que é de uma grande simplicidade, tem conduzido, para já, ao sucesso eleitoral, senão vejamos: como não há ideologia e se vende a ideia de que é um partido sem barões, em que todos são iguais, a jovem turba vai ao rubro.
E isto acontece, porque é impossível escamotear que vivemos cada vez mais numa sociedade em que o relativismo moral conduz a que os valores entrem numa catadupa de decadência, o que, não só , vai de encontro aos interesses da organização esquerdista, como potencia todo um campo de recrutamento, aparentemente inesgotável para o Bloco, e que tem produzido um pasto fértil de captação de votos junto de uma certa juventude urbana de esquerda jet-set que, apesar de tudo, não se identifica com o imobilismo e a ortodoxia do velho PCP.
E esta concentração de votos nas malhas urbanas, como se sabe, com o método de Hondt, é uma verdadeira mina.


Publicado por Patrick Blese às 12:42 AM

maio 16, 2005

Putas ao poder que os filhos já lá estão

(0122)
Puxei pela cabeça e não encontrei melhor título para este post do que o da frase anarquista aqui usada.
De facto, é o slogan ao qual apetece apelar depois de novo caso noticiado hoje no DN envolvendo os ex-Ministros Nobre Guedes e Telmo Correia.
Desta vez, parece que, nem se deram ao "trabalhinho" de viciar a data, foi mesmo despachado 4 dias depois das eleições que deram a maioria absoluta aos socialistas.
Agora, que parece, que finalmente a PJ se está a debruçar sobre estas e outras "normalidades" teme-se que isto seja apenas a ponta do iceberg.
Confesso que estou preocupado porque percebo que de cada vez que autarcas ou governantes do poder central se envolvem nestas trapalhadas vão ferindo de morte os aliçerces do Regime Democrático.
E isso é de uma gravidade extrema.
Não pode, nem deve, ficar impune.

Um dos grandes problemas da sociedade portuguesa é, justamente, a falta de confiança dos cidadãos em relação à classe política e aos partidos, por outras palavras, todas as sondagens de opinião revelam o decrescente apreço que os eleitores sentem por quem os representa nos diferentes orgãos de soberania.
Estes recentes casos contribuem, e de que maneira, para o aumentar da desconfiança e para a falta de credibilidade se generalizar.
Portanto, quem age dolosamente em situações que colocam em risco o funcionamento regular das instituições e os aliçerces do Regime, deve pagar a sua dívida à sociedade da forma mais gravosa.
Uma vez condenados, com trânsito em julgado da respectiva sentença, deverão os prevaricadores ficar privados da liberdade e não se deverá aceitar que as penas de prisão efectiva sejam substítuidas por multas pecuniárias.

Publicado por Patrick Blese às 01:38 AM

abril 12, 2005

O Muro de Badajoz

(0042)
A propósito da visita de Sócrates a Espanha, que começa hoje, tenho uma posição bastante crítica em relação ao discurso adoptado pelo nosso governo.
Sócrates quer tapar o sol com uma peneira, mas a situação deve ser enquadrada de outra forma.
A verdade é que o nosso Primeiro-Ministro não devia fazer uso do discurso subserviente e patético de ir pedir ao governo espanhol e aos espanhóis que nos deixem entrar.
Como é sabido, não há memória dos espanhóis antes de nos terem enviado, em faustosa comitiva, mandarem o seu chefe de governo implorar que os deixassem avançar.
Vieram, instalaram-se, ganharam dimensão e hoje estão cá implantados com o sucesso conhecido.
Lembrei-me de usar uma imagem para melhor se compreender o posicionamento do governo:
para o nosso executivo, em chegando a Badajoz, é como se esbarrassemos num imaginário Muro de Badajoz, sendo que Sócrates entende que, do nosso lado da fronteira, temos lá um exército de briosos funcionários a emitir salvos-condutos aos empresários espanhóis, não se passando o mesmo do lado espanhol.
É isso que o nosso Primeiro está a fazer em Espanha: solicitar que por especial deferência nos emitam também salvos-condutos de entrada.
Acontece que, todos sabemos que, as fronteiras foram abolidas, não havendo quaisquer barreiras imputadas pelas autoridades espanholas.
A verdade sobre a nossa não presença em Espanha tem a ver com uma questão de falta de dimensão das nossas empresas, que deriva directamente do facto de no nosso tecido empresarial uma esmagadora maioria de cerca de 95% das empresas serem micro-empresas que não conseguem ser competitivas e apresentam sempre sérias reservas quando se abordam políticas ou cenários de associação para melhor abordagem de outros mercados.
Os espanhóis e as suas empresas são aguerridos, na boa tradição da conhecida Fúria Espanhola e têm pelo menos três grandes centros empresarias
Nós não temos dimensão, enquanto a Espanha, é hoje por hoje, uma verdadeira potência europeia.
Os portugueses têm que ser competitivos, aguerridos, têm que conhecer bem o terreno e apostar em nichos de mercado.
Não têm conseguido.
Não temos sido capazes.
E esta, por muito que custe, é a grande e dolorosa verdade.

Publicado por Patrick Blese às 12:47 PM

abril 11, 2005

Portugal: Vende-se pela melhor oferta

(0040)
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Sobre as três próximas deslocações oficiais de José Sócrates, mas fundamentalmente sobre a primeira, que é a Espanha, Paulo Gorjão, no Bloguítica e o Raio, no Cabalas, apresentam visões diferentes.
Sendo dois blogues que catalógo, aqui à esquerda, como pertencentes à minha Super Liga, costumo lê-los frequentemente e tenho ideia de serem ambos homens próximos do PS ou, pelo menos, de esquerda.
Mas vamos ao essencial da questão: em síntese, José Sócrates pede a abertura do mercado espanhol às empresas portuguesas e diz que são três as suas prioridades em matéria de política externa: Espanha, Espanha e Espanha; e diz isso, ipsis verbis, aos órgãos de comunicação social espanhóis.
Paulo Gorjão, diz que “nem vale a pena salientar a importância do que está em jogo para Portugal e que a viagem a Espanha tem, nitidamente, a vontade de transmitir um sinal político sobre a prioridade que Espanha representa para Portugal”, dando desta forma, a entender a sua concordância sobre as declarações de Sócrates, ou pelo menos, que estas não lhe causam qualquer engulho.
O Raio, coloca a tónica no facto de Sócrates “ ir de chapéu na mão ( para não dizer de calças na mão ) pedir a Zapatero uns favorezinhos e permitir que algumas empresas portuguesas vendam qualquer coisa em Espanha.”
Eu devo dizer o seguinte:
Como ambos sabem, temos sido nos últimos anos positivamente invadidos pelos espanhóis em, praticamente, todas as áreas de actividade.
Este fenómeno, de sentido único, tem a ver com o facto dos espanhóis terem sido capazes de escolher um modelo de sociedade progressista e moderno, voltado para o futuro, em oposição ao nosso modelo retrógrado.
A Espanha abraçou o modelo de Ortega Y Gasset e tornou-se uma Espanha progressista, aberta, sem medo do desconhecido, disposta a assumir riscos, empreendedora, de justiça social, de pleno emprego e fortemente intelectual, ao ponto de nós, nem sequer sermos capazes de aproveitar a brecha que é aberta pelos problemas que têm com as Autonomias e os Nacionalismos.
Nós somos retrógrados, estatistas, não temos visão e o empreendorismo que existe, principalmente nas camadas mais jovens e que por certo deriva ainda e directamente dos nossos antepassados de Quinhentos, esbarra e é asfixiado pela burocracia do Estado.
Esta aqui a resposta à pergunta levantada pelo Raio, quando interroga e muito bem: “ O Primeiro-Ministro quer que o mercado espanhol se abra a Portugal. Mas como? Não estava já aberto? “
Estava.
Claro que estava.
E está.
Os mercados são abertos e estão todos abertos.
A questão não é essa.
O que acontece é que os espanhóis, estão compradores, não estão vendedores.
Nós, estamos vendedores, não estamos compradores.
Eles, são dinâmicos, empreendedores e arriscam.
Nós, choramos o nosso triste Fado.
Esta é a questão!
Em Portugal, à 2ª feira, os governantes e os empresários proclamam aos sete ventos ser preciso manter os centros de decisão dos grandes grupos económicos no nosso país e depois, à 3ª feira, vão a correr vender os seus grupos aos espanhóis na maior das impunidades.
Não existem sanções!
Tão pouco a sociedade os censura moralmente!
Eu digo: há que apelar a todos os patriotas no sentido de sancionarem e reprovarem estes comportamentos.
Hoje, ouvem-se muitas conversas de café e de táxi, em que portugueses, de forma completamente conformada, estúpida e leviana, dizem que o melhor é integrarmo-nos em Espanha.
E não são tão poucos, quanto isso, os que assim pensam.
Logicamente que isto revela nada conhecerem da nossa História e não haver noções básicas de patriotismo.
Dois séculos antes de haver Espanha já nós éramos Portugal, nós temos nove séculos de História Independente.
José Sócrates devia saber isto.
Podia e devia visitar Espanha, mas as declarações que fez colocando-se numa posição de desajeitada subserviência perante o governo de nuestros hermanos, devem ser fortemente condenadas por todos os portugueses patriotas.
Há portugueses que estão à venda e isso para mim é repugnante.


Publicado por Patrick Blese às 02:51 AM

abril 09, 2005

A Ética na Política

(0035)
A primeira medida que um líder tomaria em relação ao país, passaria pelo seguinte:
Quando se vai para a política, retirando a malta das jotas que sai directamente dos bancos das escolas, ou se vai do sector público ou do privado.
Do sector público chega-se a partir dos organismos do Estado, da administração pública, de um qualquer Conselho Fiscal ou de uma empresa pública.
Do sector privado chega-se, regra geral, a partir das empresas ou da actividade liberal.
Defendo vigorosamente, e sem quaisquer cedências, que quando toda esta gente chega à vida política, e refiro-me tanto aos que chegam ao poder executivo central e local como aos que chegam ao poder parlamentar, deva ter a responsabilidade e a estrita obrigação de cessar todas as actividades profissionais que mantinha.
A Lei das Imcompatibilidades deve ser rigorosa e severa.
Não podemos continuar a assistir impávidos e serenos, a esta vergonha, do senhor x que à segunda-feira é Presidente do Conselho de Administração da Empresa privada y, à terça é deputado e membro de uma qualquer comissão, à quarta é porta voz do partido, à quinta vai assinar os documentos do conselho fiscal do organismo w e à sexta prepara o fim de semana.
Só depois de estancada esta vergonha se deverá falar em aumentos salariais para os políticos.

Publicado por Patrick Blese às 01:22 PM

O Saneamento a fazer no PSD

(0034)
A primeira medida que um líder corajoso implementaria no Partido, a par das Directas, passaria pelo saneamento ou limpeza de balneário, que urge ser feita e cuja necessidade se explica da seguinte forma:
O PSD nasceu poucos dias após a Revolução de Abril e, embora abstendo-me de abordar aqui a sua evolução histórica, sempre diria que desde logo agrupou gente do centro e uma boa parte da direita portuguesa.
O Partido formou-se à volta da ala liberal do Marcelismo, de militantes de movimentos católicos e dos tecnocratas da SEDES, tendo-se rapidamente tornado num partido abrangente de toda a sociedade, interclassista, com uma fortíssima implantação nacional, (especialmente no Norte, no Centro e nas Ilhas), que juntou jovens e velhos, gente rural e urbana, pequenos e médios empresários e gente de todas as actividades profissionais.
Posto isto diria o seguinte:
O PSD tem sido ao longo dos anos um Partido sem ideologia.
Eu diria que tem sido um Partido pragmático, que se adapta rapidamente à realidade e que governa.
É como se sabe, o Partido que mais tempo esteve no Governo desde a implantação do regime democrático.
É por isso um Partido de poder.
E quando assim é, corre-se o risco do aparelho partidário tender a alimentar-se desse poder.
É o que acontece no PSD.

No partido, desde sempre, convivem as bases e as classes dirigentes.
As chamadas bases e o aparelho são, nem mais, nem menos que, os indivíduos que estão sempre à espera de um emprego no Estado, que pretendem um lugar para o filho em qualquer organismo público ou que vivem à míngua de um concurso público ou da adjudicação de um qualquer serviço ou obrazita.
Não tenhamos ilusões que, em grande medida, as bases e o aparelho do PSD encaixam que nem uma luva neste diagnóstico e é preciso assumi-lo com clareza.
É evidente que também no PSD existem os basistas que correm apenas pelo copo de vinho tinto, do courato, do arroz de salpicão e do caldo verde, mas a tal cultura de poder, faz com que o número destes basistas seja inferior ao número de militantes deste mesmo naipe que encontramos noutros partidos.
As classes dirigentes do Partido, por sua vez, costumam dizer que querem estar próximo das bases e dar-lhe voz.
Não há nada mais demagógico do que isto.
É este discurso que faz com que as bases, que se alimentam do poder, tenham conseguido, perante a complacência dos líderes, cultivar o carreirismo, o cacique e o clientelismo, transformando o aparelho do Partido num autêntico viveiro de funcionários e fazendo com que as sedes das distritais, das concelhias e das várias secções sejam autênticas agências de colocação de empregos.
É preciso coragem para inverter este processo e sanear grande parte destes carreiristas profissionais.


Publicado por Patrick Blese às 01:11 PM

março 29, 2005

O Parasita

(0006)
Nos últimos dias polemizei no A Forma e o Conteúdo, com dois distintos comentadores dessa casa, sobre o artigo É lúgubre de Vasco Pulido Valente.
Quero acrescentar o seguinte:
VPV tentou armar-se ao Político mas não passa, nunca passou, nem vai passar, de um mero figurante político e provavelmente essa realidade provocará parte do azedume com que fala do Regime.
Agarra-se à sua sociologia, como se esta fosse fonte de toda a sapiência e dignidade e em vez de tentar interpretar a realidade dos novos ares, diverte-se a promover o processo inverso, isto é, a realidade é que se deverá ajustar às suas ideias e aos seus pensamentos.
Por insondáveis desígnios do destino mantêm-se à tona há várias décadas, a debitar sobre a falência do Regime, detendo um poder mediático e de intervenção só explicado pelo facto das massas alimentarem uma constante necessidade de “sangue”.
Dito de outra forma, como VPV se limita a relevar e elencar problemas e jamais aponta no sentido de uma solução ou de uma medida de aplicação prática que vise alterar a ordem das coisas, arma-se de um discurso cáustico, duro, muitas vezes quereloso e ofensivo e consegue chocar e escandalizar.
Ora todos sabemos o quanto a turba sedenta de sangue aprecia o escândalo, o exagero e a truculência, o que se traduz num magnífico retorno quando chega a hora de olhar para as audiências.
VPV está para a crónica política, como o Bloco de Esquerda está para a cena política, sendo que o cronista é uma versão Old Parr e caneta Mont Blanc, de uma mesma realidade.
Desta forma simples, mas altamente eficaz, o espertalhão VPV vai fazendo pela vidinha e com o talento que inegavelmente possui é visto como uma espécie de aráuto das Crónicas de Escárnio e Mal-Dizer dos tempos modernos.
Mas o problema é mais grave:
Para ele, o destino dos portugueses será sempre trágico, decadente e lúgubre; todos os portugueses são patetas, estúpidos, ignorantes ou analfabetos – e muitos acumulam – excepção feita, claro está, à sua distinta pessoa.
Quando deixa de alvejar o português comum e se concentra nos economistas - aí é que a porca torce o rabo - a sua verborreia inútil aumenta de intensidade, fica com a vista turva e o disparate deixa de conhecer limites.
Se pudesse mandava-os a todos para o cadafalso, talvez permitindo que escapassem os que lograssem debitar, sem pestanejar, o essencial das doutrinas de Comte, Weber, Durkheim, Marx ou Bourdieu, ou que, em alternativa, frequentassem diariamente a Associação Portuguesa de Sociologia.
Para todos os outros, em não os podendo mandar para a guilhotina, vetar-lhes-ia o desígnio da alta e da baixa política, visto que não sabendo sociologia são incultos, burros, ignorantes e ficam reduzidos a seres com capacidade potenciadas para o bricolage.
Isto remete-nos para problemas ainda mais graves:
Há cerca de um mês também no Público, VPV afirmou que o país precisa de mudar de Regime.
Não de sistema, mas de Regime.
Agora com este escrito entendi qual é o Regime que preconiza e percebo a estratégia.
Ele quer desacreditar os partidos, os agentes políticos, a partidocracia e no limite minar os alicerçes do Regime Democrático.
Segundo ele, os carreiristas, os caciques e os políticos profissionais, não servem – e neste aspecto estamos de acordo – mas ficámos agora a saber que, quem triunfa na sociedade civil, tem provas dadas, tem curriculum e obra inatacável, existe e é, independentemente da política e dos partidos, também não serve.
Então quem serve?
Esta é que é a questão:
Então quem serve?

E o problema é que, do que se supõe das suas diatribes escritas, não servindo ninguém, VPV coloca em causa a sociedade civil e os fundamentos da Democracia.
Ele não tem coragem de o dizer, por manifesto receio de perder a sua tribuna, mas só falta ultrapassar essa barreira para a máscara cair definitivamente.
O que ele realmente quererá dizer e não diz, não será que, segundo ele, o povo é completamente ignorante e inculto e por via disso, a democracia directa ou representativa não serve, porque não pode ser o “portuga”, esse bando de energúmenos, a decidir quem nos governa.
Quando esta máscara cair, quem o lerá?
VPV passará a mito com pés de barro.
Nesse dia passará a ser um parasita.
Nada mais!

Publicado por Patrick Blese às 07:33 PM