fevereiro 28, 2007

Universidade Independente: A tradição ainda é o que era

(0679)
Tal como o Guedes, e como não podia deixar de ser, sigo a história da Independente com especial atenção.
Ainda hoje, de manhã, ouvia no noticiário da TSF que o Presidente da Associação Académica foi proibido de entrar nas instalações da universidade e até os pelos dos braços se me arrepiaram, mas isso, são contas de outro rosário.
O que há a registar é que há uns bons 15 anos vivi um filme exactamente decalcado deste em que o Prof. Arouca era actor principal e os actuais protagonistas do caso Independente eram actores secundários.
Conheço-os a todos e se ao Prof. Arouca devo o maior respeito, desde logo porque foi juntamente com a minha santa avó o maior responsável pelo meu canudito em Direito, sobre os outros comparsas só posso constatar que se esta gente esta à frente dos destinos de uma universidade só pode significar uma de duas coisas: ou o Prof. Arouca perdeu o tino de vez ou aquela "universidade" é uma universidade sem tino.

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fevereiro 19, 2007

A vitória do SIM no referendo sobre a IVG

(0678)

Nos últimos meses o referendo sobre a IVG esteve na ordem do dia e fez vir à tona uma panóplia de movimentos cívicos ( principalmente do lado do Não, mas também do lado do Sim) de grande qualidade e uma série de gente nova de grande envergadura intelectual.
Se o Referendo não tivesse tido outro mérito esse, o de mostrar que a sociedade civil está viva, pujante e desperta, foi uma evidência assinalável.
A minha posição sobre esta matéria era uma posição muito pouco radical.
Não sou dos que via neste referendo uma “disputa” entre modernistas e reaccionários; tão pouco admiro intelectualmente os que se arrogaram com vitórias partidárias ou sociológicas, em especial uma certa esquerda e extrema-esquerda que logo surgiu a tentar capitalizar o resultado do referendo a seu favor na tentativa de fazer desta “vitória” o ponto de partida para vitórias noutras questões fracturantes o que, convenhamos, não é sério; assim como também tenho dificuldades em compreender aqueles que pretendiam impor a sua moral particular a toda a sociedade.
Da minha parte entendo, básica e resumidamente, que a questão do aborto é um dilema moral que se coloca sempre no plano pessoal e íntimo, e que nas questões íntimas o Estado não se deve meter e, a meter-se, deve pautar a sua conduta por critérios de grande razoabilidade e equilibrio.
E é justamente à luz destes dois critérios que convêm lembrar que o que estava em causa era a despenalização e a regulamentação da IVG até as 10 semanas e não a sua liberalização, o que faz com que, do meu ponto de vista, a vitória do SIM tenha sido a vitória do melhor compromisso que penso era possível ser atingido nesta matéria até porque continuamos a ter, traduzida em letra de lei, uma das legislações europeias mais protectoras da vida intra-uterina.
Importava acabar com o flagelo do aborto clandestino permitindo a sua realização em estabelecimentos hospitalares autorizados e isso foi conseguido com o resultado deste referendo.
Agora é importante que a nova Lei garanta o aconselhamento obrigatório porque só assim se promoverá a opção livre, mas consciente, de todas as mulheres.
De uma coisa estou certo, se fosse possível conhecerem-se as actuais taxas de realização de IVG até as 10 semanas realizadas clandestinamente poderíamos constatar que com a nova prática os números seguramente serão mais baixos. .

P.S:
Um novo e estimulante projecto empresarial afastou-me do convívio blogosférico.
Felizmente as coisas estão no caminho certo e penso poder voltar a um meio que tanto aprecio e que considero estimulante.

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Publicado por Patrick Blese às 06:52 PM | Comentários (0) | TrackBack

maio 16, 2006

Notas Soltas

(0664)
1- Este blogue já conheceu melhores dias.
2- Época futebolística acaba com sentimento misto de alegria (dobradinha do FC Porto) e tristeza (descida do Belém).
3- Portas prepara regresso triunfal ao Caldas socorrendo-se da banda do costume.
4- Ao que parece José António Saraiva vai voltar, em Setembro, com o Expresso II.
O Sol.
Sobre isto tenho a dizer que eu e o meu amigo luxemburguês Dr. Francisco de Soure temos uma marca registada que responde pelo nome de "Sol de Portugal" que tem um logótipo exactamente igual, sem tirar nem por, ao do nobel semanário.
Não contente em plagiar o formato e o design do Expresso o Engenheiro veio também "mamar na teta da nossa inspiração".
Da minha parte, como sou viciado em jornais e adoro praia, prometo não processar o Sol.
5- Tenho um amigo que é Delegado Comercial da Afinsa. Os resultados mensais dizem até que é um dos melhores. Entalou dezenas de amigos principalmente jogadores de futebol da SuperLiga e tentou também, sem sucesso, recrutar este vosso criado.
Está agora a pensar viajar para o Brasil.
Já lhe reservei a passagem.
6- O Patrick, o Monteiro de Barros, bem entendido, tem uma costela ambientalista.
Não se vê é à vista desarmada.
7- Um líder deve diferenciar jogadores com base no relacionamento pessoal que mantém com eles ou com os seus empresários?
Se a sua resposta é sim assine por baixo a convocatória de Scolari. Eu, pela minha parte, acho que a simples escolha destes 23 devia dar direito a despedimento imediato com justa causa.
8- Fixem estes miúdos, todos na casa dos 19-22 anos, que vão evoluir no próximo mundial:
Schweinteiger e Podolski, da Alemanha; Tévez e Messi, da Argentina; Van der Vaart, Robben, Maduro e Van Pierse, da Holanda; Kranjcar, da Croácia; Reyes e Torres, da Espanha; Valdez, do Paraguai; e, claro, Cristiano Ronaldo.
9- Mas as grandes figuras vão ser Zidane e a dupla Adriano/ Ronaldinho que, pelo menos, marcará presença na final.
Podem é perder...
... com a Itália.
10- Carrilho tirou grande parte dos seus últimos meses para escrever uma coisa a que chamou Sob o Signo da Verdade com o intuito de nos lembrar quem são os responsáveis pela sua trágica e inexplicável derrota eleitoral.
Confesso que não li e juro que não vou ler.
No entanto fiquei curioso, é que toda a gente, de norte a sul e da direita à esquerda, tem dado porrada no desgraçado e eu confesso que quando se criam estas unanimidades negativas tendo a dar o benefício da dúvida à putativa "vítima" e vou à procura de argumentos para defender o indefensável.
Assim sendo, e mesmo sem a ter lido parece-me que a “obra” tem pelo menos um mérito: o homem chama os bois pelos nomes.
É verdade que se esquece de indicar o nome principal de entre os culpados (Manuel Maria Carrilho) mas os outros, ao que parece, estão lá todos com o nome a bold carregado.
E chamar os nomes pelos bois, em Portugal, costuma ter um preço muito alto.
Por outras palavras, parece-me que o filósofo está bem fodido.
11- Este estabelecimento continua a "atirar-se" para cima das 200 visitas diárias.
Agradecesse penhoradamente à meia dúzia de indefectíveis leitores e, em especial, ao Ronaldinho Gaúcho e à Soraia Chaves que o Sitemeter diz serem os grandes responsáveis por esta overdose de visitantes diários.


Publicado por Patrick Blese às 12:36 AM | Comentários (6)

janeiro 31, 2006

Disfrutar da escrita e da contundência de VPV enquanto é tempo

(0589)
vasco.jpg

Tenho para mim que VPV é indiscutivelmente uma pessoa com o dom da escrita, talentosa e erudita que usa a fina ironia como poucos e cujos escritos têm uma qualidade estilística irrefutável.
Sou um grande admirador das suas crónicas, penso que é um dos maiores cronistas vivos, a par de Miguel Esteves Cardoso e de Miguel Sousa Tavares, no entanto, se é verdade que aprecio, e muito, as suas reflexões quando fala de vivências, do social, de literatura, de emoções pessoais, da sua infância e adolescência, de viagens, ou quando se transforma em escritor e escreve o excelente Glória, não é menos verdade que não consigo suportar, é o termo, o seu pessimismo exacerbado, o seu azedume constante, que roça o bota-abaixo e a maledicência, quando perora sobre políticos e partidos ou debita sobre a falência do Regime ou o ser português.
Em tempos escreveu um artigo, intitulado É lugrebe! onde castigava furiosamente Cavaco e António Borges, que me "irritou" profundamente e que lhe mereceu uma valente zurzidela da minha parte, no entanto recordo-me que um comentador do blogue leu o meu post e escreveu que eu estava a "atacar" VPV com as mesmas armas e o mesmo estilo que ele "atacava" as suas "vitimas", e esse foi, meus caros, o comentário que mais satisfeito me deixou, até hoje, desde que escrevo publicamente em blogues.
Percebi nessa hora como VPV deve retirar satisfação das crónicas iluminadas que escreve e dos comentários mais ou menos truculentos que recebe.

Da minha parte quero saudar, sinceramente, a chegada de VPV à blogosfera e embora me pareça que não tem perfil para este meio, o que a juntar ao que já afirmou sobre a blogosfera me faz prever com alguma margem de segurança que não ficará por cá mais do que os 6 meses que aguentou na Assembleia, digo-vos com convicção:
vamos disfrutar dos seus posts enquanto durar.
Aqui terá um leitor diário.

Publicado por Patrick Blese às 01:44 AM | Comentários (2)

De onde vêm as hosanas blogosféricas para Vasco Pulido Valente ou a diferença entre os democratas de direita e os democratas de esquerda, de extrema-esquerda e de extrema-direita ?

(0588)
Anda aí grande alvoroço pela anunciada, e já confirmada, chegada de VPV, pela mão da excelente Constança, à blogosfera e, ao contrário, do que se poderia esperar o pessimista-mor do regime foi, aparentemente, muito bem recebido no meio.
Alguns blogues generalistas entraram em perfeita euforia pela sua chegada; outros falaram, e eu subscrevo, em ganhos para o mundo dos blogues e outros ficaram de tal maneira perplexos pela sua chegada à blogosfera que não acreditam que os futuros posts assinados por VPV sejam mesmo escritos por VPV.
No entanto e após uma passagem por alguns blogues constata-se que uma coisa é o estrondo provocado pelos jornais e o clamor que originam os leitores/comentadores de blogues, outra coisa são os “donos” de blogues.
E nesta matéria os anti-corpos de VPV são muitos, o homem já zurziu forte e feio em quase todos os portugueses da vida pública das últimas décadas, e servem, ou podem servir, para assinalar e demarcar a postura "democrática" das esquerdas, da extrema-direita e da direita blogosférica.
As várias esquerdas e a esquerda mais à esquerda, com esta irónica excepção, ignoraram olimpicamente a chegada de VPV.
Igual vista grossa fizeram os bloguistas das várias correntes e tendências nacionalistas e integralistas.
Em oposição a esta tendência os blogues que subscrevem orientações liberais, saudaram a sua chegada de forma civilizada, democrática e educada, como seria de esperar, e alguns, estranhamente, (se nos recordarmos que VPV chamou cretinos aos seguidores das teses liberais e afirmou que seguem a lógica de verdadeiros loucos), até com algum entusiasmo.

Esta análise fria e crua da recepção blogosférica a VPV pode dizer alguma coisa sobre os vários níveis de participação democrática das várias tendências e colocam sérias dúvidas sobre a pertinência deste post de Constança Cunha e Sá.

Publicado por Patrick Blese às 01:13 AM | Comentários (13)

novembro 30, 2005

Onde se fala de liberalismo, moral social e Estado-Providência, em carta aberta a JFM

(0421)

Caro José Ferreira Marques,

A discussão sobre a natureza filosófica do liberalismo mereceu da sua parte este post, que li atentamente mas, com o qual não posso concordar por entender que contempla uma visão redutora do assunto.
Para além disso, brindou com um ralhete, do meu ponto de vista, injustificado e injusto, os liberais que hoje vão fazendo o liberalismo, todos os dias, por essa blogosfera fora.
Não sou advogado de defesa de ninguém, nem eles precisam de mim, nem a finalidade deste meu post é defender quem quer que seja, no entanto gostava de trocar consigo algumas ideias.
Compreendo que quando falou em “solidariedade”, ou falta dela, e “em moral que suporta a vida”, estaria provavelmente a lembrar-se de Malthus que afirmava claramente que o Estado devia limitar-se a proteger os ricos e que devia recusar quaisquer direitos aos pobres, (recordo-me que quando comecei a interessar-me por esta matéria fixei, para sempre, uma frase de Malthus em que ele deixava um único conselho aos pobres: que não se reproduzissem), ou que terá recordado a fase em que as doutrinas liberais andaram de mãos dadas com o Imperialismo.
Admito também que quando afirmou que “o liberalismo não andaria longe da bárbarie” estaria a pensar no facto do liberalismo ter conduzido, já no séc. XX, as sociedades europeias liberais para a guerra e, posteriormente, para o emergir de regimes totalitários que surgiram em nome da defesa de interesses colectivos que o liberalismo não quis, ou não soube, proteger.
No entanto, também não desconhecerá que as teorias liberais têm sofrido evolução e que, nomeadamente, nos anos 70 essas teorias começaram a incorporar preocupações com as questões dos direitos humanos, defenderam o fim das ditaduras, a abertura de mercados, a diminuição de impostos e garantias de liberdade no comércio internacional.
E chegados aqui, meu caro Zé António, queria dizer-lhe que penso que estão neste momento reunidas, em Portugal, uma série de condições e de factores que potenciam, como nunca, a aplicação concreta de políticas liberais.
Discordo de quem defende o aparecimento de um Partido Liberal, entendo antes, que o caminho a seguir deverá ser feito por dentro de um partido português já implantado no tecido social onde os pensadores e executores liberais poderão ir marcando o seu território e impondo as suas ideias e projectos, sendo que esse partido, só pode ser o PSD.
Mas não é sobre os meios para atingir os fins que lhe quero falar, interessa-me falar-lhe sobre as condições e os factores que penso ora estarem reunidos e que potenciam a implantação das doutrinas e políticas liberais.
E sobre isso, diria que, por um lado, é hoje uma verdade insofismável que o nosso Estado-Providência está falido, isto é, o Estado transformou-se no eixo central e organizador do social, e do individuo, regulando todas as questões dinamizadoras dos mercados e falhou redondamente.
Por isso, penso que, nesta altura, o Estado-Providência não poderá continuar a ser um objectivo nacional porque se tem revelado completamente ineficaz, quer do ponto de vista financeiro, quer do ponto de vista social.
O modelo, seguido até aqui, deve ser abandonado em favor da regulação dos mercados, ou seja, deveremos caminhar para um Estado menos actor e regulador e mais avaliador devendo esse Estado avaliador substituir o Estado provedor.
Esta substituição traduzir-se-á num muito menor número de funcionários públicos, no facto dos indivíduos passarem a ser obrigados a responder pelo seu desempenho, no aumento da concorrência e na ausência de bloqueios à verdadeira economia de mercado, desaparecendo, dessa forma, a lógica intervencionista do Estado.
O Estado deverá garantir as questões relacionadas com a segurança e a justiça, passando áreas como a Saúde, Água, Transportes, Comunicações, Energia e Educação a estar entregues aos privados, no sentido de que não devemos aceitar a intervenção do Estado em coisas que os índividuos sejam capazes de resolver por si.
Este, meu caro amigo, acredito que será o caminho.
Assim os liberais, e as suas políticas, sejam capazes de arranjar equilibrios no sentido de: incrementar a não exclusão social promovendo, incentivando e premiando práticas sociais responsáveis por parte dos grandes, médios e pequenos agentes económicos; promover fundos para melhor educação e melhor formação profissional; e adoptar políticas de imigração realistas, ponderadas e que acautelem a segurança nacional devendo, nesta matéria, compreender-se que, apesar de se saber que limitar a entrada de estrangeiros poder parecer um paradoxo com as práticas liberais, os tempos que correm exigem medidas altamente restritivas nesta matéria.

P.S. Também nos últimos dias por causa dos crucifixos se tem assistido a polémicas onde, do meu ponto de vista, se insiste em confundir a discussão pública das políticas liberais por parte de pensadores liberais, que é o que interessa e é relevante; e, as suas confissões religiosas e posturas morais, que para a presente discussão nada relevam.


Publicado por Patrick Blese às 01:56 AM | Comentários (1)