janeiro 30, 2006

A BOLA: O jornal de todos os desportos

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Aos 5 anos de idade, este que vos escreve, já sabia ler e escrever.
Ainda hoje a minha avô pensa que esse milagre se deveu a uma conjugação perfeita entre a severa palmatória da Dona Saudade , que Deus tenha, e as riquezas vitamínicas das sopas de cavalo cansado agora, que já posso dizer a verdade, o segredo do prematuro sucesso escolar tinha outros "culpados": Vítor Santos, Aurélio Márcio, Carlos Pinhão, Cruz dos Santos, Carlos Miranda, Homero Serpa e companhia.
Ontem, A BOLA fez 61 anos.
Obrigado!

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dezembro 01, 2005

Morreu o Mestre do Karate Kid

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Pat Morita, ou antes Mr. Miyagi, o Mestre do Daniel San, morreu no passado dia 25, na sua casa em Las Vegas.
Lá se foi do reino dos vivos o homem que apanhava moscas com dois pauzinhos e que de alguma forma marcou a minha adolescência.
Com 14 anos fui ver o primeiro filme da saga.
Lembro-me como se fosse hoje.

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novembro 10, 2005

As minhas memórias do Vítor Baía num postal lamechas e saudosista

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Tenho à minha frente a foto do Vítor Baía hoje publicada n` ABola por ocasião do lançamento da sua autobiografia.
A obra tem uma 1ª edição de 30.000 exemplares e é prefaciada por Miguel Sousa Tavares e promete, e merece, ser vendida como tremoços.
No entanto, não é sobre o livro que vos quero falar.
Contemplando a foto do Vítor não pude deixar de me rever nela e de personificar nos seus cabelos grisalhos, à imagem e semelhança dos meus, o nosso envelhecimento.
Eu e o Vítor temos a mesma idade.
Conheci-o nas camada jovens do FC Porto quando ambos tínhamos 14 anos mas a vida levou-nos por caminhos diferentes.
Eu permaneci por lá apenas até aos 16 anos, enquanto ele, com uma breve interrupção catalã, ainda por lá continua tendo-se transformado num mito.
Desde que de lá saí, e mesmo desenvolvendo alguma actividade profissional na esfera do futebol, nunca mais o vi, nunca mais privei com ele e, por isso, estou à vontade para dizer que o considero o maior jogador português dos últimos 20 anos.
Qual Figo, qual Rui Costa, qual Futre, qual carapuça, o líder desta gente toda é o Vítor Baía.
O seu percurso, para mais num guarda-redes, é perfeitamente invulgar.
Ao contrário dos outros grandes nomes, o Vítor nas camadas jovens não era, ao que me recordo, visto como um talento.
No entanto, do tempo que com ele convivi, embora ele fosse muito recatado e eu um valdevino que só dava problemas ao Grande Mestre o Senhor Costa Soares,tenho ideia de que ele era um rapaz com grande carácter.
Penso mesmo que, de um grupo de cerca de 30 jogadores que o mítico Costa Soares tinha à sua disposição ele e o Zé Nando se distinguiam dos demais pela invulgar maturidade.
E foi isso que lhe valeu: ser homem antes do tempo.
O Vítor começou por baixo e comeu o pão que o diabo amassou para chegar onde chegou.
Quando cheguei ao clube em 1984-85, o Vítor que já lá estava hà 1 ano, procedente da Académica de Leça, não tinha qualquer estatuto junto dos técnicos e da massa adepta do clube, ao ponto de ser o nosso quarto guarda-redes atrás do Bizarro, do Galveias e do Zé Carlos.
A vida não era fácil para ele, aliás a moral era tão baixa que julgo que ninguém sabia que ele se chamava Baía, recordo até que havia outro Vítor, e ele era o Vítor II.
De resto, a história da sua chegada às Antas, ou melhor à velhinha Constituição, é saborosa: os olheiros do FC Porto, penso que o senhor Chico Carneiro, o mesmo que me detectou a mim naquela que é a grande mancha da sua carreira, viu um jogo da Académica de Leça e referenciou o guarda-Redes e um avançado lingrinhas.
No final da época, o FC Porto solicitou à equipa leceira que enviasse os dois miúdos à Constituição porque queria assinar com eles.
O treinador da equipa fez questão de ser ele próprio a levá-los.
O Vítor era o habitual titular na Académica de Leça mas, no jogo em que o FC Porto esteve a observar, não pode jogar e portanto o guarda-redes que o FC Porto viu e queria não era o Vítor.
O treinador achava que o Vítor era melhor e por isso levou-o, em detrimento do outro, ao treino à Constituição.
O FC Porto não notou a diferença e o resto da história já vocês conhecem.
O avançado lingrinhas era o Domingos Paciência.
Tenho muitas saudades desses bons tempos que infelizmente não voltam para trás e algumas memórias muito apagadas pelo tempo: do Cabral, que foi o primeiro namorado da ex-mulher do Vítor, que ia sempre ter comigo ao Carolina para eu lhe apresentar miúdas; as tardes na Ramada Alta com o Toninho Cruz e o resto da rapaziada; as cinco coroas da ordem que sempre emprestava ao Domingos para ele se abastecer com um ou dois livrinhos de cowboys para matar o tempo no autocarro da D.João I até Leça; o Ângelo, com quem fiz grande amizade e tinha o BI martelado; as paragens em Gaia para, em dia de jogo, comermos à fartazana no restaurante do pai do Pedro Miguel; e as miúdas, tantas miúdas que não saiam do Carolina e das bancadas da Constituição e do campo 2 das Antas a não ser para a matinée no Grifon´s.
Da nossa equipa, que entre outros contava com craques como Bizarro, Domingos Paciência, Cabral, Zé Nando, Pedro Miguel, Barbosa, Mourão, o brasileiro Ângelo, Zé Luís, Tozé, o genial João Paulo, Galveias, o meu grande amigo e grande homem Toninho Cruz que marcou o golo que nos deu o título de Juvenis em 84-85 em Leiria contra o Sporting, ( de Cadete, Turé ( que mais tarde jogou comigo no Casa Pia) , Brito, Penetra, Évora, Mergulhão, Mário Nuno e companhia), quem chegou mais longe, ao topo do mundo, foi o Vítor.
Grande homem, grande campeão, grande profissional, jogador com mais títulos e honrarias no mundo inteiro, merecia mais do que qualquer outro estar presente no próximo Mundial.

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outubro 18, 2005

Senhora do Monte, o Miradouro de Lisboa

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Foto de Patrick Blese

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Evocação de um amigo muito especial

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Porque hoje se falou dele, e porque jamais o esquecerei, volto a lembrar Nuno Baixinho.
Post escrito em 10 de Janeiro de 2005 e agora revisto e actualizado.

O Nuno Baixinho fez parte de uma fase da minha vida que há muito se encontrava encerrada no meu baú de memórias e recordações.
Escrevi, no tempo do Senhora do Monte, um post sobre este grande amigo a propósito do Guedes ter falado de conspirações na casa do Elevador da Bica e de eu me lembrar de muitas mais e não só dessas.
Recordo-me do escritório da Rua Padre António Vieira, de uma cave na Praça do Chile, de uma casa ao Panteão, de um Palácio ao Rato, da Flamenga, de um escritório no Conde Redondo, das instalações da Associação Académica de Lisboa, ao Areeiro e de outras mais esporádicas.
Os locais eram vários, e para todos os gostos, indo desde o piolhoso até ao faustoso.
Alguns dos protagonistas, e nossos interlocutores, eram gente ilustre, daqueles que não se pode dizer aqui o nome, daqueles que, ainda que o fizesse, ninguém acreditaria em mim, nem em nós.
E os conjurados éramos nós.
E estávamos ao ataque de tudo, de Partidos, de Universidades, de Reitorias, de Associações Académicas.
E o mais estranho é que, sendo nós tão jovens, todos pareciam estar genuinamente interessados em conspirar connosco.
Acreditávamos que íamos mesmo mudar o mundo.
Os conjurados eram numa primeira linha, o Mário, o Pedro, o Stélio, mas é preciso, com rigor, falar do Nuno Marques da Silva, do Nuno Baixinho, do Carlos Gonçalves e da Inês Mauritti.
Era um grupo que se completava de forma surpreendente.
Ainda hoje acredito que devíamos ter seguido por outro caminho.
Havia uma segunda linha, constituída por aqueles que não alinhando nas frentes todas, eram gente inteligente e bem preparada, estavam perto da decisão global, o Rui Rocheta, o Tó Martins, o Filipe Malheiro e a Carmen Henriques.
E não me posso esquecer dos clássicos: o Paulo Guilherme, o Toni Duarte, o Edgar de Almodovar, o Miguel Varela, o Xico Ribeiro, o Xico Lopes, o Figueiredo, o Mano Henrique, o Rui Pereira, o António Mauritti, o Gualter, o Eisele, o Júlio Serras, o Jordão, o Artur Amorim, o Carlos Raposo, o Pedro Isidoro, o Mário Rui, o impagável Julinho de Barcelos, o Batata, a Sofia Drummond e tantos outros que podia ficar aqui a noite toda.
Crescemos muito, ganhamos muito, levámos e demos porrada, falámos com Presidentes, Líderes da Oposição, Ministros, Secretários de Estado, Reitores, Presidentes de Câmara e todos os que connosco queriam falar.
Fomos a programas de rádio e televisão, discursamos para 10, para 50, para 100, para 500 pessoas.
Em vez de um simples curso fizemos vários, em simultâneo.
Não me arrependo de nada do que fiz!
Se pudesse fazia tudo outra vez!
Penso falar em nome de todos!
O tempo ajuda a relativizar a importância das coisas e hoje olhando para trás admito que levávamos as coisas demasiado a peito.
Mas a vida não é também isso?
Não há um tempo para tudo?

Se pudesse recuar, só pedia que se pudesse alterar uma coisa.
Um facto.
Um acontecimento.
Uma circunstância.

Nuno Manuel Anão Baixinho merece que lhe faça aqui, neste modesto reduto, muito singelamente, uma evocação especial.
Era estudante de Relações Internacionais e à noite ajudava o pai, proprietário de um táxi na margem sul.
Era brilhante no domínio das várias matérias da diplomacia, da política internacional e das relações internacionais.
Tinha uma forte capacidade de argumentação, era seguríssimo nas suas tomadas de decisão e forte no contraditório directo.
Aprestava-se para ser um académico de excelência, um diplomata de excelência, um político de excelência, qualquer coisa, que ele quisesse, de excelência.
Era daqueles que se distinguia entre mil.
Tinha uma faceta de tolerância que me agradava e que penso é apanágio de quem se pensa e sente, intelectualmente, num patamar superior.
Uma vez, uma única vez, "zangou-se" comigo.
Naquela altura, como agora, os políticos, mesmo os juvenis como nós, tinham a mania de falar no nº2, no nº3, no nº4 e por aí fora.
Entre nós, não me perguntem porquê, convencionou-se que eu era o chefe da banda.
O nº2, era o Nuno Marques da Silva, e depois por aí fora, o Pedro, o Mário, o Stélio, este, aquele, por aí fora até para aí ao nº 500 que a gente não fazia a coisa por menos.
Os programas eleitorais pareciam as páginas amarelas.
O Nuno Baixinho, era visto pela entourage, para aí, não sei porquê, como nº 10, ou 11,ou 12, não sei.
Isto só se explica porque, provavelmente, a hierarquia era inversamente proporcional ao talento.
Caso contrário ele seria o nº 1.

Um dia pedi-lhe para falar com ele, a sós, numa sala isolada, dentro da Universidade.
Ia começar mais uma batalha eleitoral.
Disse-lhe, sem mais delongas: “ Baixinho, não falei com ninguém, mas quem vai liderar a corrida, desta vez és tu. Para mim, tu és o melhor, vais ser tu! Tu és o candidato!”
Ele olhou-me, tranquila e serenamente, e fumando cigarro atrás de cigarro, explicou-me porque tinha que ser eu a concorrer.
Foi uma conversa muito interessante e emocionada que ainda hoje, passados 13 anos, sou capaz de lembrar palavra por palavra.
Terminou agarrando-me pelos colarinhos e do alto dos seus 1,90 cm de altura – apesar do nome – abanou-me, dizendo-me para eu não voltar a abordar o assunto e que estaria comigo para o que desse e viesse!
Infelizmente não viveu o suficiente para assistir à nossa vitória.
O coração do Baixinho resolveu parar de o manter agarrado à vida no fim de mais uma noite de conjurados na Rua Padre António Vieira.
Nessa noite tínhamos saído de lá com os olhos a brilhar.
Estávamos a dar passos grandes. Muito grandes.
Tínhamos estado com um Reitor, que já não era Reitor, mas ainda era Reitor!
Parece confuso, mas era exactamente assim!
Íamos derrubar um Reitor e colocar lá outro!
Imaginem a excitação!
Com o desaparecimento do Baixinho, todos sofremos muito.
Eu chorei copiosamente pela primeira e única vez na minha vida.
Existem muitos homens que comem, falam, olham, mas estão mortos.
Mais mortos que os verdadeiros mortos.
E outros que morreram, mas permanecem vivos.
Nuno Manuel Anão Baixinho está neste número.
Pelo menos para mim que muitas vezes penso nele.

Em meu nome, do Pedro, da Inês, do Mário, do Stélio, da Sofia Drummond, do Nuno Marques da Silva, do António Mauritti, do Pedro Algarvio, do Rui Pereira, do Luís Tomé, e de todos os outros, quero envolver-te, grande Baixinho, num abraço gigante.


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outubro 14, 2005

O massacre era no Café Ceuta

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Quando tinha 12-13 anos a minha avó insistia, e voltava a insistir, nas infrutíferas explicações de matemática.
Quanto é que eu não teria dado por este café?

Publicado por Patrick Blese às 12:18 AM | Comentários (1) | TrackBack

setembro 15, 2005

Saudades

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... do grande Vicente.

Publicado por Patrick Blese às 12:51 AM | Comentários (4) | TrackBack

agosto 01, 2005

Salvem o Bolhão

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Durante toda a minha infãncia cresci numa casa cujas janelas gozavam de uma vista priviligiada para a entrada principal do Mercado do Bolhão.
Ando agora a planear, em segredo, uma visita ao Porto com os meus filhos.
Por um lado, acho que está a chegar a hora do baptismo no Dragão, principalmente, para a mais velha, e por outro, quero mostrar-lhes a terra onde fui criança como eles.
Para começar, desta vez, temos que ir de comboio, aproveitando assim o caminho, para lhes ensinar o nome das cidades, das serras e dos rios.
Depois, tem que coincidir com um fim de semana em que o FCP jogue em casa, contra um adversário acessível, que seja garantia de goleada, já que nestas coisas não se deve facilitar.
Antes da chegada ao santuário, que deverá ser triunfal e precedida da habitual peregrinação ao Velasquez (senão o jogo já não corre bem), terei que conseguir reunir a família para almoçar, reunião que poderá decorrer, sem problemas, no Abadia.
Sendo este o programa de domingo, de resto, nem poderia ser outro, já quanto ao programa de sábado a coisa vai ser assim: arranco no Intercidades das 9 da matina com chegada à Campanhã às 12 horas e reserva no Aleixo.
De tarde, já de motorista, irei até à Batalha, seguirei pelas Fontainhas, e Ribeira.
Depois, Serralves, espionagem nas casas da Marechal Gomes da Costa e farei o périplo pelas escolas: Florinhas, Normal, Augusto Gil, Rainha, Fontes e Carolina.
Passarei em Damião de Góis, na Cedofeita, no Café Veneza, no velhinho da Constituição, no Lima 5 e no BCG.
Não deixarei de lhes mostrar a Capela das Almas e o Via Catarina, onde antes conhecia o dia O Primeiro de Janeiro.
Vou jantar arroz de salpicão ao D.Tonho e levo a minha avó.
Mas sem poder levar os miúdos ao Bolhão, que vou eu fazer ao Porto?

Publicado por Patrick Blese às 01:59 AM

julho 14, 2005

Saudades

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Publicado por Patrick Blese às 06:14 PM

junho 28, 2005

As minhas Credenciais

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Hoje numa tertúlia entre amigos, levei a mal que tentassem, sob o argumento de que não sou um alfacinha de gema, desvalorizar a minha opinião sobre o presente e o futuro da cidade de Lisboa.
É evidente que o argumento é imbecil e que começou por ser aventado a título de brincadeira, mas rapidamente medrou, ao ponto da discussão a partir daí se passar a centrar sobre quem pode ou não opinar sobre os destinos da cidade.
Pode um habitante que viva e esteja recenseado em qualquer subúrbio da Grande Lisboa, logo sem direito de voto na capital, opinar sobre o futuro da cidade?
E se viver em Lisboa mas estiver recenseado, por exemplo, em Sintra?
Vivi 16 anos no Porto.
Nos últimos 19 anos, residi, e resido, em Lisboa e tenho a experiência de ter vivido em vários pontos da cidade.
Adoro o Castelo, Alfama, a Mouraria, o Príncipe Real, Belém e a Senhora do Monte.
Vivi em Campo de Ourique, na Bica, no Conde Redondo, em Benfica, na Graça, na Avenida da Igreja, na Estefânia, em Sete Rios e no Campo Grande.
Conheço, como a palma das minhas mãos, todos os restaurantes, e respectivos proprietários, onde se pode comer em Lisboa.
Sou sócio do grande Belenenses e até tive um gato, que ainda ronrona em casa de uma amiga, que se chama Vicente, em homenagem ao grande central do Belém, o mítico "Corta Vicente".
Não são estas credenciais suficientes para me considerar um alfacinha de plenos direitos?
Quantos alfacinhas de gema podem apresentar este curriculum e esta diversidade?
Bem sei que o argumento foi utilizado a título de graçola mas, que raio, não gostei.

Publicado por Patrick Blese às 01:06 AM

junho 23, 2005

Curtir o São João na Inbicta

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Hoje, no Porto, é noite de São João.
Esta data remete-me, imediatamente, para a minha infância de tripeiro de gema.
Era sempre um dos dias mais felizes do ano.
Ia, com o meu avô, a minha avó e os meus primos, para as Fontainhas, de alho porro em riste e, à volta dos balões, dos manjericos, das brincadeiras São Joaninas, da sardinha assada e dos pimentos, a noite parecia que não tinha fim.
Recordo-me de me deixar ir nas “rusgas” e que para arranjar namoradas era a melhor noite do ano.
Que saudades!

“ Se na nossa cidade há muito quem troque o b pelo v, há pouco quem troque a liberdade pela servidão”
Almeida Garrett

Publicado por Patrick Blese às 05:14 PM

junho 13, 2005

O Ícone Cunhal

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Ainda não tinham passado 48 horas e outro ícone comunista e da segunda metade do século XX desaparecia.

As minhas memórias pessoais do líder comunista:

I - Desde novo tive medo dele. Se não comesse a sopa a minha avó ameaçava que chamava o Cunhal;
II - Mais tarde, em estando numa casa de banho, se faltasse o papel, vinha-me sempre à memória a canção que trauteávamos na escola primária: “ Não Faz mal, Não faz mal, limpa-se ao Cunhal”.
III - Retenho a memória do seu olhar: o mais penetrante e inquietante que alguma vez vi.
IV – A frase: “ Olhe que não! Olhe que não!”
V – Por oposição, Cunhal recorda-me a minha avó que era, e ainda é, ferozmente anti-comunista.
VI - Confesso-me admirador do escritor Manuel Tiago e do desenhador Álvaro Cunhal.

Notas dispersas sobre Cunhal:

I – Nunca enganou ninguém: Comunista aos 17, comunista aos 92.
II – Homem de cultura, intelectual e revolucionário.
III – Profundamente dogmático, mantece o marxismo-leninismo como ideal de sempre.
IV – Alguém que arrastava multidões.
V - Homem cruel, como todos os líderes comunistas europeus.
VI - Sempre me surpreendeu a devoção e vocação que dedicou, toda a vida, ao Partido Comunista.

Nota final: O politicamente correcto não deixa de surpreender, muitos daqueles que nos últimos anos se referiam à cassete Cunhal e depois à cassete Carvalhas, desfilaram hoje, ao estilo de virgens aflitas, referindo-se à extraordinária inteligência e grande coerência que Cunhal sempre evidenciou.


Publicado por Patrick Blese às 09:27 PM

maio 04, 2005

Almeida Santos: o legislador

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Ontem, chorei de tanto rir enquanto almoçava com um antigo colega de curso e relembravamos os nossos tempos de estudante e em especial algumas das orais que fizemos.
Como ando sem tempo para grandes escritas recupero, aqui, um post que me lembrei ter escrito no Senhora do Monte.
Aos leitores mais atentos peço desculpa pela repetição, mas "a vidinha não está fácil".
O post rezava assim:
Durante o meu curso de Direito, quando se falava no “espírito da lei”, ou no “legislador”, pensava sempre em Almeida Santos.
Muitas vezes, nas orais – nas aulas era difícil apanharem-me – referia-me ao legislador dizendo que “ o que o Dr. Almeida Santos queria dizer, era que…”.
Normalmente, os Professores achavam graça.
O ambiente desanuviava e era mais fácil a partir desse momento, debitar a minha pouca ou muita sapiência.
Pois é, sempre que estava em dificuldades, usava o truque do “ Legislador Almeida Santos”, ganhando, com isso, tempo para reflectir e em simultâneo conseguindo eliminar os sempre incómodos silêncios castigadores e reveladores de imperdoável ignorância.
Quer dizer, uma coisa é o aluno evidenciar a sua falta de conhecimentos sobre o questionado em silêncio absoluto, outra coisa, é ir pensando em respostas alternativas, enquanto entretém o Professor com larachas.
Por outro lado, a turba, sedenta de sangue, que normalmente assiste às orais sempre goza o pagode e ajuda a suavizar a ignorância.
Quando necessitava mesmo de muito tempo para reflectir, voltava a valer-me do velho e companheiro Dr. Almeida Santos e contava uma piada que ouvi da boca do próprio: “ Um dia apanhou um táxi à porta da Assembleia e o “fogareiro” retorquiu-lhe: "Boa tarde, somos colegas!" Almeida Santos respondeu que devia haver engano uma vez que ele não era taxista. O esforçado motorista disparou de pronto: Não! Não! Eu é que sou advogado.”
A coisa resultava sempre, cada Professor, normalmente após ouvir estas milagrosas palavras ficava a debitar palavreado em média durante 5 minutos. Falavam sobre o desemprego que assolava os licenciados em Direito, sobre as diferentes saídas profissionais e sobre o excesso de cursos jurídicos.
Ora, isso, permitia-me reflectir e rebobinar mentalmente o que tinha estudado na véspera e normalmente encontrava a argumentação correcta para desmontar as questões tão argutamente colocadas pelos docentes.
Quando voltavam à carga, já eu estava armado até aos dentes para responder a tudo e acertar invariavelmente no 12 da ordem!
Como esta bom de ver Almeida Santos, sem o saber, foi de uma importância transcendental para que eu pudesse concluir o cursito.
Almeida Santos merecia até que eu fosse militante do PS.
Mas as coisas são como são e nesse particular nada há a fazer!
Hoje, (dia 20/1/2005)Almeida Santos concedeu esta entrevista ao DN.
Se não quiserem ler tudo, fiquem pelo título e por esta passagem:
“ Quando era ministro fazia os diplomas do meu ministério e os diplomas dos outros. Fazia muitos e fazia-os depressa. E, aparentemente, não fazia mal porque a maioria ainda está em vigor.”
Com a leitura da entrevista fiquei a saber que Mouzinho da Silveira também fez muitos diplomas, mas copiou grande parte, das leis francesas.
Portanto não conta!
Esperei até hoje, mas a razão veio ao de cima!
O Homem é mesmo o Legislador!

Publicado por Patrick Blese às 01:44 AM

abril 25, 2005

As minhas memórias do 25 de Abril de 1974

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Porto.
Rua Alexandre Braga.
Mercado do Bolhão.
3º andar.
Casa da minha avó Madalena.
Colo da minha tia Mininha, espreitando pela janela por trás das cortinas.
Correria louca na rua.
Barulho de tiros.
Medo.
Ansiedade.
Curiosidade.
Sem idade sequer para andar na Escola Primária.
Reza a história familiar que terei perguntado: foi golo do Porto?
Leia aqui de como "A multidão vitoriou militares na Baixa do Porto".

Publicado por Patrick Blese às 03:11 PM

abril 18, 2005

Eusébio: Anjo ou Demónio?

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Isto, é hoje, notícia no Record (sem link disponível) e no Jogo on line:
O Presidente da Casa do Benfica de Gross Umstadt, na Alemanha, Joaquim Castro, teceu duras críticas a Eusébio, dizendo que, “ele foi de uma arrogância extrema” e exemplificou, “ um jovem deficiente fez 15 quilómetros de propósito e ele só lhe deu um autografo porque o José Augusto insistiu bastante”, acrescentou ainda, que “ só veio para aqui para comer pastilhas e beber whisky”.
Esta notícia chamou-me à atenção.
Por razões que agora não interessam para o caso, há 3 anos, encontrei-me com Eusébio e eu próprio tive de fazer de José Augusto, num episódio que me indignou e que na altura, em não havendo esta tribuna, comentei com as pessoas que me são mais chegadas.
A história conta-se em poucas palavras:
Eu precisava de falar com o Eusébio.
Um amigo comum marcou o encontro.
Encontramo-nos uma primeira vez apenas os dois.
O segundo encontro ficou aprazado para o antigo Restaurante Silva.
Eram 5 da tarde o estabelecimento estava encerrado.
Lá dentro, a única mesa ocupada era a nossa: eu, o Eusébio, o seu compadre e o meu amigo.
Uma criança de 5/6 anos, não mais, passando com o pai no exterior do restaurante, apercebendo-se da presença do Pantera Negra e do facto da porta se encontrar entreaberta, entra cautelosamente e aproxima-se da nossa mesa com um papelito e uma caneta enquanto, cá fora, o pai olhava embevecido pela montra.
A criança estava sem palavras.
Parou entre mim e o Eusébio e levantou, com o braço magro, um papel e uma caneta, não conseguindo, entre a emoção e a timidez, articular uma só palavra.
O King fitou-a em silêncio.
Vários segundos.
O silêncio era ensurdecedor.
Senti-me compelido a agir em defesa do petiz: “ queres um autógrafo, não é?”, que sim, acenou com a cabeça.
“Como te chamas?”, questionei, metendo gelo na conversa, enquanto Eusébio metia gelo no copo de whisky.
“Tiago”, balbuciou a criança.
E o King? Nada!
Percebi que queria que a criança pedisse.
“ Pede o autógrafo, que o Eusébio dá”, sugeri.
“ Um autógrafo”, disse a criança numa voz sumida e envergonhada.
E o King? Nada!
Entrou-se num terrível impasse.
A muito custo e após muita insistência da minha parte, Eusébio desceu à terra e rabiscou o nome no papel.
A criança foi embora dirigindo-se, com um brilho triunfal nos olhos, na direcção do pai que o esperava, orgulhoso, no exterior.
Para mim a reunião acabou ali.

Publicado por Patrick Blese às 01:23 PM