(0679)
Tal como o Guedes, e como não podia deixar de ser, sigo a história da Independente com especial atenção.
Ainda hoje, de manhã, ouvia no noticiário da TSF que o Presidente da Associação Académica foi proibido de entrar nas instalações da universidade e até os pelos dos braços se me arrepiaram, mas isso, são contas de outro rosário.
O que há a registar é que há uns bons 15 anos vivi um filme exactamente decalcado deste em que o Prof. Arouca era actor principal e os actuais protagonistas do caso Independente eram actores secundários.
Conheço-os a todos e se ao Prof. Arouca devo o maior respeito, desde logo porque foi juntamente com a minha santa avó o maior responsável pelo meu canudito em Direito, sobre os outros comparsas só posso constatar que se esta gente esta à frente dos destinos de uma universidade só pode significar uma de duas coisas: ou o Prof. Arouca perdeu o tino de vez ou aquela "universidade" é uma universidade sem tino.
(0678)
Nos últimos meses o referendo sobre a IVG esteve na ordem do dia e fez vir à tona uma panóplia de movimentos cívicos ( principalmente do lado do Não, mas também do lado do Sim) de grande qualidade e uma série de gente nova de grande envergadura intelectual.
Se o Referendo não tivesse tido outro mérito esse, o de mostrar que a sociedade civil está viva, pujante e desperta, foi uma evidência assinalável.
A minha posição sobre esta matéria era uma posição muito pouco radical.
Não sou dos que via neste referendo uma “disputa” entre modernistas e reaccionários; tão pouco admiro intelectualmente os que se arrogaram com vitórias partidárias ou sociológicas, em especial uma certa esquerda e extrema-esquerda que logo surgiu a tentar capitalizar o resultado do referendo a seu favor na tentativa de fazer desta “vitória” o ponto de partida para vitórias noutras questões fracturantes o que, convenhamos, não é sério; assim como também tenho dificuldades em compreender aqueles que pretendiam impor a sua moral particular a toda a sociedade.
Da minha parte entendo, básica e resumidamente, que a questão do aborto é um dilema moral que se coloca sempre no plano pessoal e íntimo, e que nas questões íntimas o Estado não se deve meter e, a meter-se, deve pautar a sua conduta por critérios de grande razoabilidade e equilibrio.
E é justamente à luz destes dois critérios que convêm lembrar que o que estava em causa era a despenalização e a regulamentação da IVG até as 10 semanas e não a sua liberalização, o que faz com que, do meu ponto de vista, a vitória do SIM tenha sido a vitória do melhor compromisso que penso era possível ser atingido nesta matéria até porque continuamos a ter, traduzida em letra de lei, uma das legislações europeias mais protectoras da vida intra-uterina.
Importava acabar com o flagelo do aborto clandestino permitindo a sua realização em estabelecimentos hospitalares autorizados e isso foi conseguido com o resultado deste referendo.
Agora é importante que a nova Lei garanta o aconselhamento obrigatório porque só assim se promoverá a opção livre, mas consciente, de todas as mulheres.
De uma coisa estou certo, se fosse possível conhecerem-se as actuais taxas de realização de IVG até as 10 semanas realizadas clandestinamente poderíamos constatar que com a nova prática os números seguramente serão mais baixos. .
P.S:
Um novo e estimulante projecto empresarial afastou-me do convívio blogosférico.
Felizmente as coisas estão no caminho certo e penso poder voltar a um meio que tanto aprecio e que considero estimulante.
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