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fevereiro 05, 2006

Munich, de Spielberg

(0591)
munich 3.jpg

Sessão da meia-noite e vinte e cinco, fui ver o Munich, de Spielberg.
A coisa dura umas três horas bem medidas, que tornam o filme demasiado lento e arrastado, no entanto, desde que não se adormeça, vale a pena.
O guião já é de todos conhecido, tudo tem origem no ataque que militantes do Setembro Negro perpetraram contra a delegação de Israel durante as Olimpíadas de Munique de 1972.
Spielberg constrói o filme seguindo Avner, um agente da Mossad, seleccionado pela própria primeira-ministra Golda Meir, que deverá renegar a família e até a si próprio em prol da causa.
Avner, juntamente com a sua equipa de quatro elementos, deverá localizar, perseguir e eliminar os autores materiais do atentado.
A principal mensagem que Spielberg tenta passar no filme é de que a violência entre judeus e árabes só conduz à destruição pela destruição, que não há vencedores, nem vencidos, que perdem todos, que o assassino de hoje, será o assassinado de amanhã.
Sendo Spielberg judeu não me parece que se tenha colocado do lado da barricada judia, pelo contrário, usa da ambiguidade ao longo de todo o filme e mostra o lado humano dos terroristas, por exemplo, a cena do palestiniano que vive em Paris, com motorista particular e que tem uma filha de cerca de 12 anos que toca piano e fala francês.
A cena que mais apreciei acontece quando, por indicação de Louis, o agente francês, que não se chega a perceber para que Organização trabalha, os cinco agentes da Mossad dormem, mas com um olho no burro e outro no cigano, numa casa em Atenas.
Um barulho desperta-os.
Pegam nas armas, colocam-se em posição e esperam.
A porta abre.
Quem quer que seja, tem a chave.
O silêncio dentro da casa contrasta com a barulhenta conversa de quem está do lado de fora.
Depois, pistolas no ar, de um lado grita-se OLP, do outro ETA.
Acabam por coabitar nessa noite, na mesma casa, israelitas e palestinianos.
Arranjam mesmo maneira de se entender, falam sobre o mundo e as suas famílias e até no que diz respeito à sintonia da música se entendem (a cena do judeu e do árabe a levantarem-se do colchão alternadamente para mudar o posto emissor do rádio é magnífica e talvez o ponto mais alto do filme) no entanto, aqueles homens, que podiam perfeitamente ser amigos, quando mais tarde descobrem quem são uns e outros regressam imediatamente ao dialogo das armas.
Na cena final, com Nova Iorque como pano de fundo, Spielberg recorre a uma montagem para incluir as Twin Towers na paisagem de fundo de Manhattan, na minha opinião pretende dizer que afinal todos são terroristas: judeus, árabes, americanos, russos e tutti quanti.
Spielberg podia ter feito melhor porque apesar de ser um filme que por certo a Academia apreciará e valorizará, fica a léguas, por exemplo, de A Lista de Schindler.
Se tivesse que lhe atribuir uma nota, de 0 a 20, não lhe dava mais de 12.

Publicado por Patrick Blese às fevereiro 5, 2006 12:04 PM

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Comentários

Embora o alarido que se vá fazendo para aí sirva a publicidade ao filme, claro que vou ver.

Um @bração do
Zecatelhado

Publicado por: zecatelhado às fevereiro 5, 2006 02:03 PM

Também já vi, é muito violento, mas põe a nu os processos que os israelitas usavam.

Publicado por: rita bráz às fevereiro 5, 2006 08:52 PM

Hello! Vim até aqui espreitar o que por cá se escreve e agradecer o link para o meu pagode... Aliás,o link já está retribuído e com o merecido destaque.

Saudades da Zona Franca.

Publicado por: Freddy às fevereiro 6, 2006 06:06 PM

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