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novembro 09, 2005
O equívoco dos nacionalistas
(0384)

Imagem: via Último Reduto
Por muito que custe a uma certa direita, nomeadamente à direita nacionalista civilizada, a rebelião francesa não se resolve apenas com quotas e proibições de entradas de novos imigrantes no espaço europeu porque o problema está no facto de, o tempo não voltar para trás e, a França contar actualmente com 6 milhões de imigrantes.
Se nos concentrarmos numa hipotética proibição futura não se resolve o problema de fundo que é a questão da integração destes imigrantes.
Os discursos do género deste partem, pelo menos, de um grande equívoco: é que quem está a promover estes tumultos são parte destes 6 milhões e não imigrantes que onde vir.
Por outro lado, tenho como dado adquirido que destes 6 milhões nenhum, pese embora os factores de exclusão, estará disponível para abandonar território gaulês de livre e espontânea vontade porque, em França, apesar do desemprego, ainda conseguem viver melhor e com mais perspectivas do que nas suas terras natais.
Por outras palavras, em alguns municípios franceses os imigrantes são a maioria, e o que é preciso saber, em primeiro lugar, é o que fazer com eles.
Integrá-los convenientemente surge como um imperativo inadiável até porque não vislumbro maneira de como recambiar os imigrantes de 2ª e 3ª gerações que têm cidadania francesa.
Importa também dizer que a mentalidade expressa neste post não pode vingar, apesar de eu achar que dadas as circunstâncias este tipo de discurso facilmente arregimentará grandes massas, porque está errado e conduziria a situações muito piores do que a situação presente.
Por outro lado, acho que, do ponto de vista intelectual é pouco honesto negar-se que a Europa se fez de imigrações e que a França, em particular, é um país de imigrantes, multicultural, multiétnico, multireligioso e multilinguístico, o que quer dizer que em muitos casos, eu diria até, na maioria dos casos, os imigrantes já estão assimilados e fazem activamente parte integrante da comunidade.
A Direita Nacionalista fala de polícia (em vez de falar de integração), e eu acho bem que fale, mas que tenha noção que o seu discurso só passa e recolhe apoios, nomeadamente em França, porque a autoridade do Estado se tem vindo a delapidar o que faz com que as pessoas vão perdendo o respeito às instituições que garantem a segurança e se vão revendo em discursos populistas, radicais, securitários e extremistas.
Portanto há aqui um antagonismo na posição da direita autoritária e nacionalista: defende uma autoridade musculada, se for caso disso, mas sabe que só arregimentará simpatias populares se o Estado-Nação tiver problemas com questões de afirmação de autoridade.
É como sermos adeptos do FC Porto mas termos que torcer pela derrota do nosso clube, o que no mínimo é ingrato.
É evidente que faz todo o sentido, principalmente depois do 11 de Setembro, fixar quotas anuais de imigração e estabelecer até prémios para os países de onde vêm imigrantes que cumpram essas quotas mas, não deixa de fazer o mesmo sentido que as polícias europeias recebam ordens expressas no sentido de impedir que os imigrantes assimilados e legalizados, muitos deles de 2ª e 3ª gerações sejam explorados como pessoas, facto que é inadmissível e que acarreta graves distúrbios sociais.
Mas o que eu gostava mesmo de saber era o que é que os nacionalistas se proporiam fazer, se fossem governo em França, aos 6 milhões de imigrantes que habitam em território francês.
E caso o fizessem o que viria a seguir e a que é que isso conduziria?
Publicado por Patrick Blese às novembro 9, 2005 01:33 AM
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Comentários
Neste postal confunde-se, não sei se deliberadamente, imigrantes de origem europeia e imigrantes de outras paragens. E a questão é precisamente essa. As tretas da «integração», o discurso já estafado da «exclusão social» — isso é que não leva a parte nenhuma, a não ser ao eclodir de casos como este, eventualmente mais graves.
Publicado por: BOS às novembro 9, 2005 12:47 PM
Meu caro. Parece-me que aqui há uma perspectiva um pouco distorcida da realidade.
O que me parece é que a constatada falência e insustentabilidade do "estado social europeu", onde o cidadão tudo pede ao estado e fica lixado quando não obtem, é a chave disto tudo, pois se agora o descontentamento (fomentado pelo jacobinismo francês)se situa junto à camada imigrante e mais desfavorecida, qualquer dia tocará ao mais puro dos Franceses quando ele perceber que não consegue manter as regalias e segurança que lhe foram prometidos.
A questão só se conseguirá resolver com duas medidas, ambas quase utópicas: Desenvolver os países de origem para evitar mais emigração de baixa qualificação e convencer TODOS os que habitam neste espaço europeu, emigrantes ou não, que as regras mudaram e que a globlazição lhes retirou aquilo que tanto gostam de chamar de "direitos adquiridos".
Enquanto gerontes como Mário Soares afirmarem que "se vos disserem que o modelo social europeu está esgotado, não acreditem, pois é mentira!"
não será possível mudar as mentalidades que é necessário mudar.
Publicado por: O Velho da Montanha às novembro 9, 2005 05:44 PM
Quando está merda chegar cá e não poderes sair de casa sem levares com um tiro nos cornos quero ver se continuas com este discurso de merda.
Publicado por: gladiador às novembro 9, 2005 07:00 PM
Logicamente esta merda só se resolve com o repatriamento imediato da escória.
Publicado por: gladiador às novembro 9, 2005 07:08 PM
Ilustre: o BOS e o Velho da Montanha já disseram tudo, mas ainda assim eu acrescento qualquer coisinha: neste aspecto, tu pareces o Mário Soares, querendo a todo o custo integrar quem não só não quer como rejeita ser integrado. Ainda me irás explicar um destes dias como é que resolves esta "pequeníssima" nuance que deita por terra a tua utópica construção. De resto:
"a rebelião francesa não se resolve apenas com quotas e proibições de entradas de novos imigrantes"
Claro que não, quem quer quotas não somos por certo nós. A mim parece-me que "a casa está cheia" e não há já quotas que lhe valham, já dizia o Pim Fortuym...
"Por outro lado, tenho como dado adquirido que destes 6 milhões nenhum, pese embora os factores de exclusão, estará disponível para abandonar território gaulês de livre e espontânea vontade"
Esse aspecto é relevante, o da livre vontade. Mas como até prova em contrário quem manda em França são os franceses e isto é como nos aviões em que não se vendem bilhetes só de ida...
Aliás, nota o seguinte: o governo francês mais não tem feito do que colocar em práctica - timidamente - o que a Marine Le Pen exige uma semana antes. Primeiro sucedeu com o estado de emergência e recolher obrigatório, agora com o repatriamento. Já o teu amigo Sarcozy (que em campanha rejeita tudo o que a FN propõe) veio dizer há umas poucas de horas que repatriaria todos os imigrantes que se vissem envolvidos nestes confrontos e condenados enquanto tal, incluindo os que têm autorização de residência...
"Mas o que eu gostava mesmo de saber era o que é que os nacionalistas se proporiam fazer, se fossem governo em França, aos 6 milhões de imigrantes que habitam em território francês. E caso o fizessem o que viria a seguir e a que é que isso conduziria?"
Questão irrelevante. Estivesse a Direita Nacionalista no governo e nunca por nunca estas coisas teriam sequer começado. Proponho-te um exercício: verifica se houve incidentes nas localidades dos 'maire FN' e observa como foi tratado o assunto. Uma limpeza (e não foi de carros).
Publicado por: pedro guedes às novembro 10, 2005 12:00 AM
Ao BOS,
Olhe que não se confunde, olhe que não.
Está lá tudo.
Cumprimentos
Publicado por: patrick blese às novembro 10, 2005 01:36 AM
