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novembro 27, 2005
Esperem para ver o reboliço lá pelo Norte
(0411)
É no mínimo estranha a forte determinação que o actual governo exibe no que diz respeito ao afastamento dos símbolos religiosos das escolas.
Depois da proibição dos crucifixos, não me espantarei que a seguir venha a proibição das festas de Natal a das representações bíblicas que têm, do ponto de vista didáctico, simbólico e pedagógico, uma importância superior aos crucifixos.
Não acredito que, especialmente no Norte do país, as determinações sejam cumpridas de ânimo leve.
Vai haver contestação e bordoada da dura porque, ao contrário do Sul, no Norte, o povo, para além de ter as tradições religiosas profundamente enraízadas, não é sereno.
Cá por baixo, no Sul, se o Ministério mantiver a coerência e vier a proibir as festas de Natal, eu da minha parte desrespeitaria, se os meus filhos frequentassem escolas públicas, as directrizes ministeriais: é que eu é que sou o pai natal lá da escola e não pretendo abdicar.
E lembrando-me disto fui ao Senhora do Monte recuperar o post que escrevi o ano passado logo a seguir à festa de natal da escola, ora cá está:
Eu é que sou o Pai Natal
A Madalena tem 4 anos, ou melhor, vai ter dentro de dias.
Este ano, na tradicional festa de Natal do colégio que frequenta, investiram-me no cargo de Pai Natal.
A responsabilidade era de monta considerável, já que a coisa, pelo que me apercebi em duas reuniões preparatórias, se assemelhava a uma mega produção de Hollywood.
Metia coro, magia, peça de teatro, presépio, uma entrevista ao Pai Natal e depois a distribuição de prendas às crianças.
Confesso que, depois de ter construído toda uma carreira de bobo da corte ao serviço da animação das várias turmas que frequentei ao longo do meu percurso estudantil, tal papel não me inspirou especiais cuidados, sentia-me à vontade.
Tive que me haver com 150 crianças, entre os 3 e os 5 anos, sentadas no chão à minha frente e mais as respectivas famílias sentadas na bancada do ginásio.
A assistência era amplamente superior à maior parte dos jogos da nossa Super Liga.
Garanto que foi das experiências mais gratificantes da minha vida.
E a Madalena, depois de devidamente esclarecida sobre o facto do Pai Natal ter telefonado expressamente do Pólo Norte, informando que não podia ir ao colégio, mas que delegava as suas habituais funções “ no pai da Madalena”, estava a rebentar de orgulho.
Eu vi isso nos olhos dela quando todos, pequenos e graúdos, iam repetindo, para gáudio dos seus pequenos mas atentos ouvidos: “ o pai da Madalena é que é o Pai Natal”.
E eu, que sou o pai da Madalena, não consigo explicar o que senti. Olhava com emoção aqueles pequenos grandes dois olhos azuis que me fitavam muito atentamente - no meio de outros duzentos e noventa e oito não menos atentos e brilhantes - e eu, que não sou de lágrima fácil – antes pelo contrário – vi cair duas, enquanto despia a farda nos bastidores.
E eram minhas, sim senhor!
Publicado por Patrick Blese às novembro 27, 2005 12:50 PM
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Comentários
Texto muito bonito.
Parabéns.
Publicado por: dina freitas às novembro 27, 2005 02:52 PM
Lindíssimo texto!
Dignificante orgulho de pai!
Parabéns!
Feliz Natal!
Que a Madalena continue a ser feliz!
Publicado por: GR às novembro 27, 2005 04:36 PM
O governo devia era estar quieto e não mexer nesta matéria.
É um perfeito disparate concordo ct: qq dia proibem as festas de natal.
Haja paciência!
Publicado por: fernando rodrigues às novembro 28, 2005 12:14 AM
Caro Patrick:
Como sabe, o nosso estado é laico. Sou de formação católica e me ofende a exposição de cuxifixos nas escolas públicas. Porém não ignoro a existência de outros credos na sociedade portuguesa e para fundamentalismos não contribuo.
Ao contrário da "nortada" que se infere do seu texto, foi precisamente no norte que estas situações aconteceram pois, tendo recebido queixas de alguns pais que não concordavam com a existência de cruxifixos nas escolas públicas que os seus filhos frequentam, a Direcção Regional de Educação do Norte, de acordo com a lei, mandou-os retirar. Mas a medida só é aplicada quando há queixas dos pais.(Veja o DN online de ontem.
Um abraço.
Publicado por: JFM às novembro 28, 2005 01:50 PM
No meu comentário anterior há um erro: onde se lê "me ofende a exposição de crucifixos nas escolas públicas", deve ler-se "não me ofende a exposição de cruxifixos nas escolas públicas"
Publicado por: jfm às novembro 28, 2005 01:54 PM
Os erros não param, mas só emendo este: onde se lê "cruxifixos" leia-se (sempre) "crucifixos".
Publicado por: jfm às novembro 28, 2005 04:23 PM
Caro JFM,
compreendo a sua posição, mas ainda assim continuo a achar que por este andar qq dia vai chegar um pai a dizer q n quer festa de natal, outro que n quer o presépio, outro n quer representações biblícas e por aí fora.
E se isso se verificar lá para cima: Felgueiras, Lixa, Vila Vede, Penafiel, Lousada, Paredes, etc, garanto-lhe que vai acender o rastilho e as coisas n vão acabar bem.
Acho q n havia necessidade de se colocar sequer esta questão dos crucifixos, que para além do mais são uma tradição, numa altura em que começamos a perder todas as tradições q coloriram a nossa infância e adolesc~encia.
Um abraço,
Publicado por: patrick blese às novembro 28, 2005 10:59 PM
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Publicado por: Dudley às março 3, 2006 11:06 AM
