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novembro 10, 2005
As minhas memórias do Vítor Baía num postal lamechas e saudosista
(0386)

Tenho à minha frente a foto do Vítor Baía hoje publicada n` ABola por ocasião do lançamento da sua autobiografia.
A obra tem uma 1ª edição de 30.000 exemplares e é prefaciada por Miguel Sousa Tavares e promete, e merece, ser vendida como tremoços.
No entanto, não é sobre o livro que vos quero falar.
Contemplando a foto do Vítor não pude deixar de me rever nela e de personificar nos seus cabelos grisalhos, à imagem e semelhança dos meus, o nosso envelhecimento.
Eu e o Vítor temos a mesma idade.
Conheci-o nas camada jovens do FC Porto quando ambos tínhamos 14 anos mas a vida levou-nos por caminhos diferentes.
Eu permaneci por lá apenas até aos 16 anos, enquanto ele, com uma breve interrupção catalã, ainda por lá continua tendo-se transformado num mito.
Desde que de lá saí, e mesmo desenvolvendo alguma actividade profissional na esfera do futebol, nunca mais o vi, nunca mais privei com ele e, por isso, estou à vontade para dizer que o considero o maior jogador português dos últimos 20 anos.
Qual Figo, qual Rui Costa, qual Futre, qual carapuça, o líder desta gente toda é o Vítor Baía.
O seu percurso, para mais num guarda-redes, é perfeitamente invulgar.
Ao contrário dos outros grandes nomes, o Vítor nas camadas jovens não era, ao que me recordo, visto como um talento.
No entanto, do tempo que com ele convivi, embora ele fosse muito recatado e eu um valdevino que só dava problemas ao Grande Mestre o Senhor Costa Soares,tenho ideia de que ele era um rapaz com grande carácter.
Penso mesmo que, de um grupo de cerca de 30 jogadores que o mítico Costa Soares tinha à sua disposição ele e o Zé Nando se distinguiam dos demais pela invulgar maturidade.
E foi isso que lhe valeu: ser homem antes do tempo.
O Vítor começou por baixo e comeu o pão que o diabo amassou para chegar onde chegou.
Quando cheguei ao clube em 1984-85, o Vítor que já lá estava hà 1 ano, procedente da Académica de Leça, não tinha qualquer estatuto junto dos técnicos e da massa adepta do clube, ao ponto de ser o nosso quarto guarda-redes atrás do Bizarro, do Galveias e do Zé Carlos.
A vida não era fácil para ele, aliás a moral era tão baixa que julgo que ninguém sabia que ele se chamava Baía, recordo até que havia outro Vítor, e ele era o Vítor II.
De resto, a história da sua chegada às Antas, ou melhor à velhinha Constituição, é saborosa: os olheiros do FC Porto, penso que o senhor Chico Carneiro, o mesmo que me detectou a mim naquela que é a grande mancha da sua carreira, viu um jogo da Académica de Leça e referenciou o guarda-Redes e um avançado lingrinhas.
No final da época, o FC Porto solicitou à equipa leceira que enviasse os dois miúdos à Constituição porque queria assinar com eles.
O treinador da equipa fez questão de ser ele próprio a levá-los.
O Vítor era o habitual titular na Académica de Leça mas, no jogo em que o FC Porto esteve a observar, não pode jogar e portanto o guarda-redes que o FC Porto viu e queria não era o Vítor.
O treinador achava que o Vítor era melhor e por isso levou-o, em detrimento do outro, ao treino à Constituição.
O FC Porto não notou a diferença e o resto da história já vocês conhecem.
O avançado lingrinhas era o Domingos Paciência.
Tenho muitas saudades desses bons tempos que infelizmente não voltam para trás e algumas memórias muito apagadas pelo tempo: do Cabral, que foi o primeiro namorado da ex-mulher do Vítor, que ia sempre ter comigo ao Carolina para eu lhe apresentar miúdas; as tardes na Ramada Alta com o Toninho Cruz e o resto da rapaziada; as cinco coroas da ordem que sempre emprestava ao Domingos para ele se abastecer com um ou dois livrinhos de cowboys para matar o tempo no autocarro da D.João I até Leça; o Ângelo, com quem fiz grande amizade e tinha o BI martelado; as paragens em Gaia para, em dia de jogo, comermos à fartazana no restaurante do pai do Pedro Miguel; e as miúdas, tantas miúdas que não saiam do Carolina e das bancadas da Constituição e do campo 2 das Antas a não ser para a matinée no Grifon´s.
Da nossa equipa, que entre outros contava com craques como Bizarro, Domingos Paciência, Cabral, Zé Nando, Pedro Miguel, Barbosa, Mourão, o brasileiro Ângelo, Zé Luís, Tozé, o genial João Paulo, Galveias, o meu grande amigo e grande homem Toninho Cruz que marcou o golo que nos deu o título de Juvenis em 84-85 em Leiria contra o Sporting, ( de Cadete, Turé ( que mais tarde jogou comigo no Casa Pia) , Brito, Penetra, Évora, Mergulhão, Mário Nuno e companhia), quem chegou mais longe, ao topo do mundo, foi o Vítor.
Grande homem, grande campeão, grande profissional, jogador com mais títulos e honrarias no mundo inteiro, merecia mais do que qualquer outro estar presente no próximo Mundial.
Publicado por Patrick Blese às novembro 10, 2005 01:07 AM
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Comentários
O Baía o melhor jogador dos últimos 20 anos?
Incluindo jogadores de campo?
Você de certeza que está bem?
Publicado por: francisco guedes às novembro 10, 2005 12:43 PM
Enquanto a besta do Scolari lá estiver não há hipotese.
Quanto ao resto nem todos podemos seguir as nossas vocações, eu também tive uma fase em que queria ser jogador de futebol, nunca passei pelo FC orto mas joguei no Felgueiras, no Lixa e no Trofense e cheguei a pensar que ia lá chegar.
Mas você tendo representado o Porto já se pode dar por muito feliz por ter envergado aquela camisola.
Abraço amigo,
Publicado por: Marcelo Carvalho às novembro 10, 2005 02:19 PM
Arranje um cantinho para o Jorge Costa aqui no seu estabelecimento, porque este símbolo guerreiro da nossa selecção, também o merece!
Saudações Leoninas,
Publicado por: Marisa Pereira às novembro 11, 2005 01:03 AM
De facto o vitor baia é um grande jogador e gostei de facto das palavras k contast sobre ele. Saliento aki tb k o Domingos pa smp ficara na nossa memória cm 1 gnd ponta de lança do porto e, na mh opinião, cm meu jogador preferido. Importante é tb falar no jorge costa, k dps d fazer tanto plo nosso clube, ñ merecia ser tratado desta forma
Publicado por: Rakel às dezembro 9, 2005 10:50 PM
