« Como se pode escrever num blogue com dirigentes destes? | Entrada | Fair Trade »
julho 18, 2005
Xenofobia e racismo ou fim da concorrência desleal?
(0229)
Por manifesta falta de tempo não tenho dado assistência ao blogue que, desgraçado, anda para aqui, praticamente, ao abandono.
Só agora vou abordar o tema das declarações de Alberto João Jardim, que alguns admitiram ter a ver com questões de concorrência e não com questões xenófobas.
Recrimino totalmente qualquer forma de xenofobia.
Não compreendo como ainda hoje pode haver quem defenda a supremacia de uma raça em relação a outra.
No entanto, nunca como agora estas questões se têm colocado com tanta insistência nas sociedades ocidentais, em geral, e na nossa, em particular.
Em Portugal, o auge desta tendência generalizada conheceu o seu ponto mais alto com as declarações de Alberto João Jardim sobre os chineses e os indianos.
Tenho para mim que as palavras do líder madeirense foram proferidas num contexto de exacerbada tendência xenófoba e populista e, por isso mesmo, são intoleráveis e criticáveis.
Não podemos escamotear que hoje o tipo de linguagem por ele utilizada é pasto fértil de captação de votos, como de resto, embora sem este propósito, lembrou o insuspeito Pedro Guedes, quando diz que Jardim se limitou a dizer em voz alta o que o povo, não intelectual, ou seja, a esmagadora maioria do povo, diz em surdina ou sem possibilidade de aceder aos meios de comunicação, também JCS, escreveu que embora não concordando com a forma, admite que Jardim não cometeu nenhuma ilegalidade e que está apenas a defender intransigentemente os interesses do povo madeirense que o elegeu e o reelegeria.
Meus caros, esta demagogia e este populismo bacoco acarretam grandes perigos e deverão ser sancionados negativamente por todos os democratas e humanistas.
As democracias modernas ocidentais não resistirão a muitos discursos proferidos por políticos, dos arcos das diversas governações, que apontem no sentido sugerido por Jardim, e por isso, defendo que o Governo, o PSD, o Presidente da República e todos os órgãos do Estado deveriam ter sido ainda mais cáusticos para com as lamentáveis palavras do líder madeirense.
Uma coisa são os cidadãos chineses e outra os produtos chineses que cá se vendem, embora admita que o nexo de causalidade seja fácil e natural de estabelecer, não compreender isto, claramente, é um princípio muito perigoso para a sobrevivência e manutenção de qualquer democracia.
O que poderá, e deverá, ser discutido a este respeito não tem a ver com a circunstância de se ser branco, preto ou amarelo, polaco, indiano ou chinês, mas sim, pelo contrário, com questões e razões que nada deverão ter a ver com isso.
Publicado por Patrick Blese às julho 18, 2005 10:39 PM
