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julho 20, 2005

Gente sem vergonha

(0233)
Ferreira Marques ironiza, com alguma graça, sobre os últimos desenvolvimentos do caso Fátima Felgueiras.
Trata-se de facto de um caso singular que juntamente com os casos Isaltino, Avelino, Valentim, Albarran nos remete para um problema sociológico de grande envergadura e difícil resolução.
E o problema é que existe uma profunda crise de valores na sociedade portuguesa deste início de século.
A vida dos homens sempre se centrou em valores espirituais e éticos.
A honestidade, a honra, a dignidade, o desinteresse material e o respeito pelos outros, não eram, no tempo dos meus avós, nada de extraordinário já que quase todos se regiam por estes princípios morais.
Agora, se encontramos alguém no nosso quotidiano que se movimente à luz destes valores logo temos a tendência de usar essa pessoa como exemplo tal a raridade da espécie.
Nos nossos dias, entre outras coisas, perdeu-se a vergonha.
As pessoas já não têm vergonha.
Hoje, em todos os canais televisivos, públicos e privados, encontramos de cara destapada e sorriso largo gente acusada das piores corrupções, burlas e peculatos, como se nada fosse.
Noutros tempos, a sua família encondia-se e só sairia de casa em caso de extrema necessidade.
Hoje, chegámos ao cúmulo das televisões os requisitarem para entrevistas e os tratarem como grandes senhores.
Hoje, vale tudo.
Pode-se ser arguido, presente a julgamento, foragido à justiça, mas continuar-se a ser actor político principal e abrir noticiários em directo.

Nota: Pode acompanhar-se aqui o desenvolvimento das eleições em Felgueiras, por sinal a terra dos meus avós paternos.

Publicado por Patrick Blese às julho 20, 2005 12:24 AM