(0213)
Hoje contaram-me a história de um rapaz que depois de andar 9 anos na escola primária e do pai não o ter deixado continuar a estudar, se insurgiu contra o progenitor por ele lhe ter "dado cabo" da carreira académica.
(0212)
Pontos de vista muito interessantes:
"Ideologicamente esbatida", pela Lolita.
"Direitos adquiridos", pelo Vital Moreira.
"A Culpa é da bandeira", pelo Pedro Farinha.
"Anestesia fiscal", pelo BrainstormZ.
(0211)
O que inegavelmente são muitos dias.
Parabéns aos blogues: A Aba de Heinsenberg; Causa Liberal; Terras do Nunca; A Natureza do Mal e Blogo existo.
(0210)

O Movimento liderado pelo amigo Rúben vai de vento em popa.
Juntamente com o Sulista e o Azurara anunciou, agora, a criação do Cidadania em Acção, movimento cívico e apartidário que se bate pela gestão criteriosa e isenta dos recursos públicos e pela moralização da classe política.
Vá até ao Sítio do Ruvasa e fique a saber mais.
(0209)

Homem de enorme cultura, grande filosófo e matemático, Emídio Guerreiro, lutou sempre por convicções.
Primeiro na clandestinidade contra o Estado Novo e depois na legalidade, quando foi a hora de defender as liberdades conquistadas e de cimentar o Estado Democrático de Direito.
Oposicionista do salazarismo, lutou também em Espanha, ao lado dos Republicanos contra os Falangistas.
Homem intrinsecamente de esquerda, ainda há poucos dias, numa entrevista concedida a um jornal, que já não me recordo qual, dizia sobre Cunhal que a sua coerência tinha sido uma catástrofe , visto ser coerente com um bandido como Estaline.
Paz à sua alma.
Leia, aqui, o perfil.
(0208)

Para quem, como eu, não pode viver sem um bom arroz de cabidela de galinha, a casa do Senhor Emílio que há 70 anos serve pobres e ricos, é local de poiso obrigatório e regular.
Trata-se do "restaurant", onde em boa verdade, esta iguaria é confeccionada com maior fidelidade ao sabor minhoto.
Para os acompanhantes que não gostem do manjar recomendo a Sopa Rica de Peixe que é de comer e chorar por mais.
Fica junto à Estação do Rego, no Bairro de Santos.
Rua da Beneficiência, 77
Lisboa
Tel. 21 797 21 72
CLASSIFICAÇÃO:15
(0207)

Com "O Aleixo" começa uma nova rúbrica aqui no estabelecimento.
Falarei dos meus pratos e templos gastronomicos favoritos, os "restaurant", como sempre me habituei a dizer.
Audaz, atrever-me-ei a classificar os tascos de 0 a 20, escala universitária, sendo que nesta matéria sou do mais exigente que se possa imaginar.O Aleixo é para mim uma paragem obrigatória sempre que ando pela Invicta.
O prato que grangeou fama, e proveito, à casa são os Filetes de Polvo, servidos com arroz baseado no próprio octópode.
Curiosamente, não é o prato que mais aprecio, eu alinho preferencialmente nos tenros, suculentos e delirantes Filetes de Pescada.
As doses são hiper-generosas, a decoração original e sui generis e o atendimento, do Ramiro -lampião dos sete costados- e família, é digno do bem receber tripeiro.
Têm sobremesas divinais, com as Rabanadas à cabeça da lista, e pode comer-se a famosa Broa de Avintes, coisa rara mesmo em "restaurants" da Invicta.
Para terminar, se quiser um café tem que se levantar e passar ao Bar, numa tradição que persistem em manter e que, bem vistas as coisas, arruinaria com qualquer outra casa.
O Aleixo, esse, resiste a tudo, até a esta excentricidade.
Rua da Estação, 216
(Junto à Estação da Campanhã)
Porto
Tel. 22 537 04 62
E o melhor é fazer mesmo reserva.
CLASSIFICAÇÃO: 14
(0206)

Os democratas do Barnabé andam todos ao estalo e ao pontapé.
Enquanto vão baixando os cacetes a torto e a direito, eu fico aqui, de Primeiro Balcão, à espera de mais sangue.
Mas sempre registo que o Daniel Oliveira acaba de ser expropriado da sua própria casa.
Fina ironia!
(0204)

Hoje numa tertúlia entre amigos, levei a mal que tentassem, sob o argumento de que não sou um alfacinha de gema, desvalorizar a minha opinião sobre o presente e o futuro da cidade de Lisboa.
É evidente que o argumento é imbecil e que começou por ser aventado a título de brincadeira, mas rapidamente medrou, ao ponto da discussão a partir daí se passar a centrar sobre quem pode ou não opinar sobre os destinos da cidade.
Pode um habitante que viva e esteja recenseado em qualquer subúrbio da Grande Lisboa, logo sem direito de voto na capital, opinar sobre o futuro da cidade?
E se viver em Lisboa mas estiver recenseado, por exemplo, em Sintra?
Vivi 16 anos no Porto.
Nos últimos 19 anos, residi, e resido, em Lisboa e tenho a experiência de ter vivido em vários pontos da cidade.
Adoro o Castelo, Alfama, a Mouraria, o Príncipe Real, Belém e a Senhora do Monte.
Vivi em Campo de Ourique, na Bica, no Conde Redondo, em Benfica, na Graça, na Avenida da Igreja, na Estefânia, em Sete Rios e no Campo Grande.
Conheço, como a palma das minhas mãos, todos os restaurantes, e respectivos proprietários, onde se pode comer em Lisboa.
Sou sócio do grande Belenenses e até tive um gato, que ainda ronrona em casa de uma amiga, que se chama Vicente, em homenagem ao grande central do Belém, o mítico "Corta Vicente".
Não são estas credenciais suficientes para me considerar um alfacinha de plenos direitos?
Quantos alfacinhas de gema podem apresentar este curriculum e esta diversidade?
Bem sei que o argumento foi utilizado a título de graçola mas, que raio, não gostei.
(0203)

São os nomes das novas armas que a comunidade científica está a investigar para o grande ataque a uma das maiores pragas da humanidade.
Excelentes notícias!
(0197)
Manter um blogue individual obriga a uma grande disciplina individual.
Exige grande disponibilidade física e mental sob pena da missão se tornar impossível.
Acredito que todos passamos por fases de menor fulgor, em que achamos que já não vale a pena e que já não se justifica o esforço e o investimento.
Todos os dias, de resto, encontramos exemplos disso no universo blogosférico.
No entanto, entre o deve e o haver, acaba por ser compensador, até porque por vezes, recebemos incentivos destes, de pessoas que não conhecemos que, para nós, são perfeitos desconhecidos e que por isso mesmo, tem muito mais valor.
E isto, paga, com juros, as horas de descrença.
(0196)

Hoje, no Porto, é noite de São João.
Esta data remete-me, imediatamente, para a minha infância de tripeiro de gema.
Era sempre um dos dias mais felizes do ano.
Ia, com o meu avô, a minha avó e os meus primos, para as Fontainhas, de alho porro em riste e, à volta dos balões, dos manjericos, das brincadeiras São Joaninas, da sardinha assada e dos pimentos, a noite parecia que não tinha fim.
Recordo-me de me deixar ir nas “rusgas” e que para arranjar namoradas era a melhor noite do ano.
Que saudades!
“ Se na nossa cidade há muito quem troque o b pelo v, há pouco quem troque a liberdade pela servidão”
Almeida Garrett
(0195)
No mesmo livro, são abordados os Defeitos Condenáveis nos Subordinados, e que, segundo o eminente doutrinador, são entre outros, os seguintes:
Espírito intriguista: é um defeito desgraçado e até catastrófico.
Espírito adulador: o empregado que é costume designar por engraxador ou manteigueiro torna-se, sempre, antipático aos colegas.
A adulação é um vício pernicioso.
Todos quanto desejam subir sem esforço recorrem à lisonja servil e untuosa.
Hipersensibilidade: eis aqui um defeito, que indispõe e irrita.
O empregado hipersensível ofende-se com tudo, susceptibiliza-se a despropósito de tudo.
Apatia: esta é a forma mais característica da preguiça.
E há criaturas tão obstinadas no seu horror ao trabalho, que se cansam a procurar maneira de nada fazerem.
Ora, na verdade, a inactividade, além de fatigar tanto como o trabalho, ainda tem o inconveniente de complicar, dificultar e atrasar os serviços.
Quem não quer fazer nada, quem quer preguiçar, não se emprega.
Preguiça: eis aqui outro defeito lastimoso.
Quando um empregado interessa a uma instituição é para trabalhar e não para preguiçar ou para fazer cera, numa atitude mais ao menos escandalosa.
Jocosidade: é um defeito sumamente condenável.
O indivíduo com prosápias a engraçado, torna-se um flagelo no ambiente onde trabalha.
Atente-se, particularmente, no acerto destes três últimos, condenáveis e imperdoáveis, defeitos:
Irrequietismo: eis aqui outro defeito que urge contrariar.
Os empregados não devem andar sempre a pedir para mudar de secção.
Que se faça um pedido destes uma vez na vida , com fundamento, está bem, está certo.
Mas que todos os meses, por irrequietismo, se solicitem alterações destas, isso é que não pode aceitar-se.
Vida irregular: há pessoas que dizem: “ O meu patrão nada tem com a minha vida particular”.
Ora, isto não é verdade, o empregado que perde as noites em tabernas e lupanares, e vai para o trabalho falto de sono e com os nervos escangalhados, é tão ladrão como o que rouba dinheiro.
Sujidade: há empregados que não prestam atenção a este facto.
Julgam que, com lábia ou até com competência, podem suprir a falta de higiene corporal.
Não é bem assim.
Um individuo que não toma banho regularmente, que se apresenta sujo e mal cheiroso, causa repugnância.
Em certas actividades, torna-se, mesmo, indispensável que os empregados se apresentem irrepreensivelmente limpos.
Mas, de um modo geral, não podem, hoje, admitir-se empregados pouco amigos do asseio.
(0194)
Editado pela Editorial Domingos Barreira, no âmbito da colecção Biblioteca de Orientação Profissional, descobri em mais uma peregrinação alfarrabista, o livro Arte de Obedecer, de Mário Gonçalves Viana, que conheceu luz, nos idos de 1954.
Trata-se de um manual de conduta que qualquer pessoa com pretensões a fazer carreira numa qualquer empresa ou a ser funcionário público, deveria, à época, dominar.
Toda o manual é digno de leitura atenta, mas a mim interessou-me particularmente a parte 3 do enorme catrapázio, onde se enumeram as Qualidades Exigíveis aos Subordinados,
destacaria, muito resumidamente, as seguintes:
Delicadeza: esta é uma qualidade mestra, indispensável a todo o empregado que se preze.
Ainda que o chefe seja grosseiro, violento ou desbocado, nunca o subordinado deverá cair em tais excessos.
O patrão, pelo facto de o ser, pode permitir-se ao “luxo” de proferir quaisquer palavras inconvenientes ou de tomar quaisquer atitudes incorrectas, ao empregado, porém, já não cabe semelhante liberdade.
Actividade: Um empregado que faz tudo arrastando os pés, e lentamente, aborrece e enerva.
Prudência: o empregado deve ser cauto e prudente, de maneira a evitar quaisquer atitudes susceptíveis de desagradarem aos chefes.
Está claro que urge não cair nos vícios da indecisão e da pusilanimidade, para os quais pode degenerar esta virtude, pois na prudência, ir além de certos e determinados limites é loucura.
Sobriedade de linguagem: o subordinado deve falar pouco.
É profundamente verdadeira a sentença da velha sabedoria popular: Quem muito fala pouco acerta.
Os chefes razoáveis e inteligentes não gostam dos empregados faladores, que dão opinião acerca de tudo, e que tudo comentam levianamente.
O falar desabusado e fora de propósito dá uma lastimosa impressão de superficialidade.
Quão irritante se torna aquele que pretende dizer, constantemente, graças e graçolas!
Perspicácia: o subordinado deve adivinhar os pensamentos do chefe.
Humildade: o subordinado não deve tomar atitudes espectaculares, tão pouco presumir-se esperto e menos ainda deve querer passar por tal aos olhos de terceiras pessoas.
Serenidade: os chefes querem empregados que não percam a transmontana com facilidade.
(0193)
Já se sabia que a Carla Hilário Quevedo era inteligente e escrevia divinamente, quer no seu blogue, quer na sua habitual página semanal na Única do Expresso.
Agora, ficamos também a saber que é uma mulher de requintado e extremo bom gosto: é que colocou o Anjos e Demónios em grande destaque no seu estabelecimento.
Vindo de quem vem, trata-se de um momento de grande glória para este humilde blogue, só comparável, por exemplo, ao que representou para a Humanidade o momento da chegada do homem à lua.
Agradeço penhorada e sentidamente.
(0192)
A Miss Pearls ameaçou, que eu vi, que se ia embora.
Que deixava de escrever no seu refrescante e cheiroso blogue.
Parece que se arrependeu.
Ainda bem.
(0190)

Cheguei por estes dias de Santorini que me fez recordar, pelas evidentes semelhanças arquitectónicas do casario tradicional, Punta Ballena, que fica a meio caminho entre Montevideu e Maldonado, muito próximo da chique Punta del Este, no Uruguai.
Em especial, recordei-me de Casapueblo, a magnífica casa do artista plástico uruguaiu Carlos Páez Vilaró.
Casapueblo é um autêntico castelo esculpido, onde Vilaró criou a casa dos seus sonhos, uma verdadeira "escultura para morar" como diz o próprio.
A casa foi esculpida, em parte, com as suas próprias mãos, avançando sobre as rochas do mar de Punta Ballena.
Ainda hoje lhe serve de atelier para o exercício das suas várias artes e saberes: pintor, escultor, arquitecto, cineasta, escritor e ceramista.
A casa, onde o artista continua, para além de trabalhar, a viver, foi transformada num pequeno hotel de charme, com cerca de 50 quartos, baptizados com os nomes dos amigos deste discíplo dilecto de Picasso que lá pernoitaram: Pelé, Toquinho, Robert de Niro, Omar Shariff, Alain Delon, Brigitte Bardot, Astor Piazzola, Che Guevara, Ivo Pitangui, Carlos Menem, Tony Curtis e Vinícius.
Quem por lá passar poderá ainda assistir a um pôr do sol inesquecível e visualizar um video-documentário sobre a vida e obra do artista, em que ele fala sobre a sua amizade com o sol e ficamos a saber que o seu filho estava no avião que caíu no Chile, na Cordilheira dos Andes, e por via disso teve que comer carne humana durante mêses para sobreviver.
Casapueblo é uma das mais extraordinárias obras de arquitectura e amor que vi em toda a minha vida, só por isso vale a pena ir ao Uruguai.
(0189)
A manifestação nazi-racista de sábado passado, que foi superiormente controlada pela polícia, colocou no mesmo saco: Frente Nacional, PNR, CI e grupos de Skeanheads.
Quanto à manifestação, penso que o Governo Civil de Lisboa não tinha como não a autorizar, até porque, como se sabe, também as costuma autorizar aos comunistas.
Quanto ao PNR e aos verdadeiros Nacionalistas sofreram um rude golpe nas suas aspirações.
Admito que houvesse manifestantes que de uma forma pacífica quisessem apenas manifestar-se contra a imigração massiva e ilegal e pelo reforço da segurança e da autoridade policial, acontece que a imagem que passou esteve muito longe de ser essa.
Quem são os verdadeiros Nacionalistas que se revêem nesta, felizmente, mini-manif?
(0188)

E não ficaremos por aqui.
Agora, é só ficarmos todos a torcer para que na próxima corrida o nosso Tiago possa correr sozinho.
(0186)
O Editorial de Luís Osório na Capital.
Deixo o texto integral, na impossibilidade do link directo.
É ler e chorar por mais, sob o título: A vitória da imaginação, reza assim:
"O arrastão, afinal, não existiu. O comunicado da PSP foi precipitado, as primeiras páginas dos jornais nitidamente alarmistas, as notícias que abriram os noticiários televisivos multiplicaram os efeitos, vários comentadores falaram sobre a crescente insegurança, políticos mostraram-se consternados, e o Presidente da República não demorou a marcar uma visita ao problemático bairro da Cova da Moura. Mas a reportagem de Nuno Guedes não deixa margem para dúvidas: não houve qualquer arrastão em Carcavelos. Mais: não houve qualquer queixa registada na PSP da zona.
Estamos, ao que tudo indica, perante uma das maiores mistificações de que há memória em Portugal. Uma mistificação gerada por um racismo crescente, não só da parte dos brancos diga-se, e por um clima de insegurança que torna muito difícil imaginar o que poderá acontecer a médio prazo.
É evidente que o crescimento da área suburbana, e a sua transformação em autênticas cidades de excluídos e deserdados, provoca um efeito de "panela de pressão" que pode explodir a qualquer momento. Excluídos e deserdados, negros e não só, já estiveram mais longe do dia em que tentarão oferecer, aos que consideram privilegiados, uma prova de vida. Basta entrar num bairro problemático e ouvir os poemas ditos de improviso pelos jovens rappers; miúdos com menos de 20 anos que, assumindo-se como escravos, esperam e cantam pelo dia da libertação.
Ao mesmo tempo, nas cidades não suburbanas, a maioria de nós deseja que os negros, e os restantes excluídos, nunca abandonem os "buracos" onde vivem.
A maioria de nós, mesmo os que até defendem a coabitação racial, desejam o seu mundo livre de problemas e angústias. Crescem exponencialmente os que, sem qualquer dúvida metódica, pedem a expulsão dos não nascidos em Portugal e até dos que, nascendo cá, têm a cor negra.
Aqueles miúdos elevados à categoria de criminosos organizados - ontem o deputado Nuno Melo foi muito claro na sua declaração - foram os primeiros, pelo menos em tão larga escala, a pagar o preço por serem negros e, como tal, indesejáveis.
O comunicado da polícia foi precipitado porque feito a quente por alguém que não duvidou de que eles pudessem ter feito aquilo. As primeiras páginas dos jornais foram alarmistas porque todos foram atrás de todos. Os noticiários televisivos transformaram as imagens que não tinham em relatos virtuais, os comentadores e políticos não procuraram investigar, e Jorge Sampaio, e muito bem, marcou uma visita à Cova da Moura porque fez fé de que tudo era verdade.
Só que tudo isto não aconteceu da forma como foi contado. Tudo isto aconteceu porque há cada vez menos pessoas a questionarem-se sobre as coisas, porque há cada vez mais pessoas a olhar para a realidade como uma verdade adquirida e não problematizável. Aconteceu também porque a maioria de nós, e não me estou a excluir totalmente, é racista. Mesmo quando está convencida do contrário. Se não o fôssemos, chegaríamos facilmente à conclusão de que um arrastão é feito por 40 ou 50 pessoas no máximo, não por 400 ou 500. "Assina, Luís Osório
No meio de todo este disparate o homem ainda teve o discernimento de se afirmar racista.
Eu, apesar da confissão, não acredito, nem nisso, nem na sanidade mental do Senhor Director da Capital.
(0185)

Oportuno movimento, encabeçado pelo amigo Rúben, que apela à responsabilização dos políticos que nos têm (des)governado nos últimos anos.
Via O Sítio do Ruvasa, onde poderão ler o comunicado que dá suporte ao movimento.
(0184)
Francisco José Viegas, que para além de ser azul e branco de coração, é um homem da cultura e dos livros, mantêm o excelente Aviz há dois anos.
Venham pelo menos outros tantos.
(0183)
A extrema-esquerda e a esquerda têm louvado Cunhal.
Nada a obstar, são os seus amigos de sempre, outra coisa não seria de esperar.
O que não é aceitável é que a direita e o Estado democrático estejam a homenagear Cunhal como um democrata e um humanista.
Como se o revolucionário fosse humanista e o adepto dos regimes totalitários fosse democrata.
Como é possível?
Cunhal devia ser lembrado às gerações vindouras como um derrotado.
Os seus conceitos de amplas liberdades e do socialismo democrático foram derrotados.
O seu sovietismo foi derrotado.
E em final de vida, a herança que deixa ao seu amor de toda a vida, o PCP, é Jerónimo de Sousa.
Que há para homenagear?
(0182)
Numa iniciativa, que penso ser pioneira, e que atesta a crescente e intensa implantação do fenómeno dos blogues na sociedade civil, Jorge Ferreira, que já mantêm profícua actividade nos blogues Tomar Partido e Olissipo, inaugura mais um blogue desta vez na página do Jornal Digital.
Parabéns, Jorge!
(0180)

(0178)
Você é daqueles que só acredita ser possível conhecer verdadeiramente algo se se passar pelo crivo da prática?
(0177)
Pedro Passos Coelho, de volta às lides, depois de prolongada licença sabática, diz que o PSD não deve insistir na realização do referendo sobre a Constituição Europeia, sob pena de ser ultrapassado pelo que for decidido em Bruxelas.
Paulo Gorgão, concorda com esta visão táctica do ex-líder da JSD e lembra ainda que este, dentro do partido, não estará sózinho nesta posição.
Estou em profundo desacordo com ambos.
É tão simples quanto isto: se de facto, Passos Coelho está contra este tratado constitucional não deverá mexer uma palha para que o referendo não se realize, é que se por um lado, o tacticismo dá sempre maus resultados na alta política, por outro, o Não nunca esteve tão perto da vitória.
(0176)
Entre o companheiro Vasco, Cunhal e o poeta do silêncio, não há dúvida de que Eugénio de Andrade foi aquele que levou o nome de Portugal mais longe e pelas melhores razões.
Queixa-se este meu compadre que o tempo de antena gratuito já vai longo - espera para veres o que está reservado para as cerimónias fúnebres, naquele que vai ser o maior funeral realizado em Portugal -
mas eu gostaria de ir mais longe e deixar aqui algumas interrogações:
Quem deveria o Estado homenagear com maior grandiosidade?
Não deveria ser Eugénio?
E se eu vos disser que esse nem sequer será homenageado?
Reveêm-se neste Estado?
(0175)

Dois posts absolutamente obrigatórios:
O fim de um mundo, pelo Rui A.
Só respeito a morte de quem respeita a vida, pelo CAA
E uma visão mais intimista:
Coerência, pela Ana Sá Lopes
Nota: No meu título de ontem, de alguma forma, parece que antevi a manchete do Público de hoje o que, logicamente, é motivo de farta preocupação.
(0174)

Ainda não tinham passado 48 horas e outro ícone comunista e da segunda metade do século XX desaparecia.
As minhas memórias pessoais do líder comunista:
I - Desde novo tive medo dele. Se não comesse a sopa a minha avó ameaçava que chamava o Cunhal;
II - Mais tarde, em estando numa casa de banho, se faltasse o papel, vinha-me sempre à memória a canção que trauteávamos na escola primária: “ Não Faz mal, Não faz mal, limpa-se ao Cunhal”.
III - Retenho a memória do seu olhar: o mais penetrante e inquietante que alguma vez vi.
IV – A frase: “ Olhe que não! Olhe que não!”
V – Por oposição, Cunhal recorda-me a minha avó que era, e ainda é, ferozmente anti-comunista.
VI - Confesso-me admirador do escritor Manuel Tiago e do desenhador Álvaro Cunhal.
Notas dispersas sobre Cunhal:
I – Nunca enganou ninguém: Comunista aos 17, comunista aos 92.
II – Homem de cultura, intelectual e revolucionário.
III – Profundamente dogmático, mantece o marxismo-leninismo como ideal de sempre.
IV – Alguém que arrastava multidões.
V - Homem cruel, como todos os líderes comunistas europeus.
VI - Sempre me surpreendeu a devoção e vocação que dedicou, toda a vida, ao Partido Comunista.
Nota final: O politicamente correcto não deixa de surpreender, muitos daqueles que nos últimos anos se referiam à cassete Cunhal e depois à cassete Carvalhas, desfilaram hoje, ao estilo de virgens aflitas, referindo-se à extraordinária inteligência e grande coerência que Cunhal sempre evidenciou.
(0173)

Pequena elegia de Setembro,
Eugénio de Andrade
Não sei como vieste,
mas deve haver um caminho
para regressar da morte.
Estás sentada no jardim,
as mãos no regaço cheias de doçura,
os olhos pousados nas últimas rosas
dos grandes e calmos dias de setembro.
Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?
Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.
Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?
Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim.
(0172)

Os 8 países mais ricos do mundo decidiram perdoar as dívidas a 18 das nações mais pobres do planeta, a maioria das quais na África subsariana.
Grande notícia, que tem um rosto: Gordon Brown, o ministro britânico das finanças.
Com esta medida, os países ora contemplados, podem usar os recursos monetários – que até agora eram destinados a satisfazer as responsabilidades assumidas a nível do Banco Mundial, FMI e Banco Africano para o Desenvolvimento – para áreas essenciais à promoção do crescimento económico e social, podendo ainda, doravante, contrair novos empréstimos.
Argumentarão, porventura, que sou um arauto do “deita abaixo”, mas ainda assim arrisco lançar aqui algumas questões:
É esta medida isolada que, per si, vai retirar o terceiro mundo da miséria?
Que adianta isto se a Europa e a América não aceitarem e incentivarem as exportações dos produtos africanos escancarando as suas fronteiras?
Que adianta mandar para lá a massaroca se depois os regimes africanos não tiverem, como parece para já impossível que venham a ter no curto prazo, um sistema fiscal justo, controlado e eficaz?
Como ter a certeza de que este perdão não aproveitará apenas, e só, às elites corruptas que lideram os destinos desses países?
Apesar das dúvidas que manifesto, é da mais elementar justiça, lembrar nesta hora o senhor da fotografia, Bono Vox, que lá segue na sua cruzada que o conduzirá até ao próximo Nobel da Paz.
Nota: Sobre este assunto são de leitura obrigatória os vários posts no GolfinhU2, nomeadamente, o que alude a esta entrevista; e este outro, no Ma-Schamba.
(0171)
Os diferentes pontos de vista, sobre o Arrastão, nos blogues, para reflexão:
Insegurança, por Vital Moreira
Eles andam aí…, por Ferreira Marques
Brincar com o fogo, por João Miranda
O Arrastão, por Bruno Oliveira Soares
Das duas, uma, por Pacheco Pereira
Dia da Raça, por Ana Sá Lopes
As bombas-relógio, por Carlos Manuel Castro
(0170)
A última coisa de que precisamos é que os nossos filhos cresçam numa sociedade xenófoba.
É um erro dizermos que os responsáveis pelo Arrastão são os africanos – pela injustiça da generalização – até porque, em Carcavelos, no meio da molhada, também havia vários polícias africanos, e de resto, esses portugueses, polícias e ladrões,que são pretos de pele, são quase todos portugueses de Portugal, que nasceram cá e se governam com as nossas escolas e as nossas televisões, que também são deles.
Não são africanos de Angola, de Cabo Verde ou de Moçambique, são antes, na sua larga maioria, africanos da Maternidade Alfredo da Costa, ali a São Sebastião da Pedreira.
No entanto, há que admitir, sem rodeios, duas coisas: que vivemos numa sociedade onde o racismo existe subtilmente infiltrado no quotidiano e que muitas vezes os africanos, ou pretos, ou o que lhe quiserem chamar, são os principais impulsionadores desse racismo; e que, em Carcavelos, pelas imagens e fotografias que vimos, cerca de 90% dos marginais, eram sem margem para dúvidas, africanos.
O risco da Xenofobia existe, é real, está à vista e tem condições para crescer exponencialmente, diria que, na razão inversa dos índices de insegurança.
O que fazer a estes marginais - brancos, pretos, amarelos, azuis - é a grande questão.
Construir um muro, com portagem para entrar e sair, na Cova da Moura e no 6 de Maio, resolvia o problema?
Mandar embarcar as últimas 3 gerações de imigrantes africanos, resolvia o problema?
Construir uma prisão de alta segurança, com a massa do tuga trabalhador, e encarcerar perpetuamente esta corja de marginais, resolvia o problema?
Ou há outros caminhos?
(0169)
Os acontecimentos de Carcavelos, fizeram-me lembrar o General de La Palice, o tal que morreu em Pavia e que um quarto de hora antes ainda estava vivo.
Fiquei espantado com o ar de estupefacção dos nossos jornalistas e dos nossos políticos, em geral, que consideram a hipótese de se tratar de um caso isolado.
Então o que se passa diariamente nas linhas ferroviárias suburbanas de Cascais e Sintra não é um aviso?
E um aviso sério?
Eu não fiquei surpreendido com o carácter organizado da coisa, facto que nos remete directamente para os factores de exclusão de ordem económica e para a enorme dificuldade de integração social dessas famílias, na sua larga maioria, de imigrantes africanos.
(0168)
Morreu Vasco Gonçalves.
Numa altura em que o mundo balançava, e Portugal oscilou, entre os eixos Estados Unidos da América/ Nato e URSS/ Pacto de Varsóvia, o companheiro Vasco, adepto das democracias populares de leste e dos modelos colectivistas, quis levar-nos para o abismo.
Agora, 30 anos depois, parece que o politicamente correcto Estado português lhe quer pagar o funeral.
(0167)

Na última 5ª feira, Lobo Antunes versa sobre Futebol, na crónica que habitualmente assina na Visão, começando por recordar José Cardoso Pires, que dizia: “eu não sou do Benfica, sou do Néné”.
No resto do texto, Lobo Antunes de quem não sou particular admirador, antes pelo contário, discorre magistralmente sobre a arte que jorra dos pés dos futebolistas de eleição.
A este próposito, lembrei-me que, também eu, em miúdo, fui desde sempre do FC Porto, mas durante vários anos, num sistema de acumulação até algo contraditório, fui também do Néné, principalmente deste, mas depois, também do Chalana, do Madjer, do Futre, do Domingos Paciência , meu amigo e colega de brincadeiras e de equipa, e do Pedro Barbosa.
E é, justamente, deste último que vos quero falar.
No fundo, como todos os verdadeiros amantes do futebol, aprecio o futebol espectáculo, o improviso, o toque de bola singular, a magia, o drible desconcertante, "as coxinhas" e "os cabritos".
Ora, Barbosa, no apogeu, representava tudo isto e muito mais, era como que a personificação perfeita do génio dentro do campo.
Era, no seu máximo, genial.
Da sua geração, à parte a questão dos títulos e do dinheiro ganho, Barbosa era, potencialmente, o craque maior de uma fornada que incluía os talentos inquestionáveis de Rui Costa, Figo, Paulo Sousa, João Pinto e companhia.
Esteve 10 anos no Sporting, onde fez épocas notáveis e acabou como capitão de equipa.
Pedro Barbosa tinha que sair em ombros de Alvalade mas acaba por fazê-lo pela porta dos fundos.
Trata-se de um erro clamoroso desta Administração leonina e não perceber isso é não se perceber nada de futebol e de desporto.
Nota: Ou muito me engano ou Pedro Barbosa vai ser o melhor treinador português da sua geração e os sportinguistas ainda o vão ver entrar em Alvalade pela porta grande, quiçá, ao mesmo tempo que estes dirigentes saem pela porta do cavalo.
(0166)
“Os livros estão pela hora da morte” e “pechinchas foi chão que deu uvas”, são as principais conclusões que todos quantos visitaram a Feira do Livro puderam retirar.
Sobre as minhas compras, mesmo correndo o risco de desvendar uma parte considerável da alma - haverá alguma coisa mais intima do que conhecermos as leituras de uma criatura? – sempre posso dizer que
me aviei com o clássico O Velho e o Mar, que valeu o Nobel a Hemingway, da Editora Livros do Brasil, a troco de 10 euros, mal gastos, na exacta medida em que já possui este livro mas, inadvertidamente, numa das minhas inúmeras mudanças, o exemplar em causa teve que dividir uma caixa de papelão com uma garrafa de azeite e com umas postas congeladas de espadarte e saiu de lá transformado, justamente, em salada de espadarte, provavelmente, o mesmo que o velho Santiago deixou escapar a favor de um grupo de tubarões;
Do stand da Ulisseia, trouxe Viagem ao Fim da Noite, de Céline, obra que na altura foi considerada um exemplo de uma nova consciência de esquerda, supra ironia, pois como se sabe, a intelligentsia progressista logo se arrependeria do seu excessivo e prematuro entusiasmo, face à surpresa, de sentido inverso, que representaram a Morte a Crédito e Bagatelles pour un Massacre.
Ideologias à parte vale mesmo a pena ler Céline, dono de uma pena acutilante, desesperada, sofrida, torrencial e de fortíssima adjectivação.
Limparam-me 15, 99 euros.
Arre!
Próxima paragem: o stand da Editora Civilização, onde enterrei mais 28 euros, no Gulag, de Anne Applebaum, jornalista do Waschington Post, que nesta volumosa obra estabelece a cronologia dos campos estalinistas e a lógica subjacente à sua criação, ao seu alargamento e à sua manutenção.
Um relato bem documentado do sistema de trabalhos forçados desde a sua criação até à sua extinção por Gorbatchev que serve para que o Gulag não se apague da memória histórica da antiga União Soviética e do Ocidente.
A Idade do Ouro, do excepcional romancista histórico que é Gore Vidal também não me escapou, a edição é da Editorial Notícias e lá voaram mais 20,50 euros.
A seguir fui à Dom Quixote e por 12 euros não deixei por mãos alheias a Poesia Completa de Cesário Verde.
Na Guimarães arrematei o Cândido, de Voltaire e o Acuso…, de Zola, posto que segui 16,60 euros mais pobre rumo ao stand da Oficina do Livro, onde não resisti: confesso que não sou grande apreciador de Pedro Paixão, embora desgraçadamente lhe conheça a obra, mas acabei por comprar Girls in Bikini, é que por 2,99 euros, a única pechincha que encontrei na feira, para mais com aquela capa, não poderia fazer vista grossa.
Para terminar em desgraça suprema e com a intenção deliberada de serem lidos sob o efeito de várias garrafas de Old Parr, adquiri na Editorial Inquérito: Poder e Terror; A manipulação dos Media e Duas Horas de Lucidez, todos do alucinado Chomsky, para quem Lionel Jospin, Blair e Schroder são políticos de Extrema- Direita.
É verdade que tiveram o desplante de me cobrar 26,20 euros, mas meus caros, é este o preço de entendermos melhor a cartilha do Bloco de Esquera, ou antes, da Esquerda que pensa à Esquerda, mas vive à direita.
E agora, estes meus novos companheiros, vão todos para a fila de espera em cima da mesinha de cabeceira onde ainda têm, pelo menos, 5 livros à frente.
O Chomsky, esse, fica para o fim, que a boa vontade tem limites.
(0165)

Sim ou Não?
(0164)

As responsabilidades de pai iam, hoje à tarde, acabando comigo.
O colégio da minha filha resolveu, no âmbito da passagem de mais um aniversário da instituição, presentear os familiares das crianças com um espectáculo de Ballet em que os miúdos, de 4 e 5 anos, eram os principais protagonistas.
Até aqui tudo estava bem.
O problema é que para os responsáveis do colégio, meter 300 pessoas, pais, avós, amas, professores e sei lá mais quem ( havia uma assistência francamente superior a muitos jogos da Superliga), dentro de um ginásio, onde a temperatura rondava, mais coisa, menos coisa, alguns 50 graus, não é sinónimo de carne no espeto, mas sim, de sacrifício espiritual.
Este que vos escreve só não deixou lá o escalpe por acaso.
A mesma sorte não tiveram alguns velhotes que à hora a que escrevo estas linhas ainda lá devem estar agarrados ao ventilador.
Quanto ao espectáculo em si, que é o motivo que dá suporte a este post, foi grandioso.
A Madalena, qual maître-de-ballet, encantou a plateia.
Quer dizer, eu de ballet não percebo nada, mas acho que ela esteve soberba: dois bons pés, óptimo tempo de salto, imperial nas alturas, elegante, boa visão periférica, rápida, versátil, ritmo avassalador: parecia o Ricardo Carvalho.
E tudo isto com 4 anos.
(0162)
O CDS junta-se agora ao Bloco de Esquerda e ao PCP na contestação à distribuição das subvenções estatais aos Partidos e interpõe uma acção em tribunal contra o Parlamento, sede onde, na minha opinião, justamente, se deveria discutir, e alterar, se for caso disso, a lei vigente.
De resto, José Ferreira Marques, no A Forma e o Contéudo, explica tudo:
O tribunal que respeite a divisão de poderes e devolva os requerimentos.
Na dúvida, se aplicar o "espírito do legislador" concluirá pela má-fé dos litigantes.
Então, lá onde se fazem as leis, não se entendem sobre a sua interpretação?
(0161)

Soube agora da tragédia através deste compadre.
Ainda hoje, estive a falar sobre o velho capitão com o meu grande amigo Rui Gregório, ex-colega de equipa durante vários anos do Zé e seu vizinho em Carcavelos.
Nos últimos anos, por razões profissionais, tive que falar com ele várias vezes, homem leal e respeitador deixa uma marca eterna no Belenenses.
Curiosamente, após mais de 25 anos depois de profunda ligação ao Belém, sei que, esta semana, lhe tinham comunicado que o seu contrato, que terminava por estes dias, não seria renovado.
Estou chocado!
Vou ver se consigo dormir.
(0160)

Através do Paulo Reis, fico a saber que Montesquieu, que era francês, sábio e liberal, tinha já no séc. XVIII, muitas dúvidas em relação a um governo universal.
Mesmo admitindo que existiam princípios de justiça que eram comuns a quase toda a humanidade, Montesquieu concluía que, dadas as diferenças históricas, culturais, geográficas e mesmo de recursos naturais entre as várias nações, era sensato que cada uma tivesse o seu próprio governo, sem que isso invalidasse, no entanto, a formação de alianças.
Ora aí está, 3 séculos depois, a lição do não francês e holandês: a Europa nunca será uma nação, tão pouco uma federação de estados dispostos a abdicar, de bom grado, da sua soberania.
(0159)
Caro António Barreto,
Permita-me que o trate, cordialmente, por António.
Tomo a liberdade de lhe escrever para lhe dizer que li, no Sítio do Não, o post onde V. se pronuncia, muito sabiamente, a favor do Não.
Também eu, sou antifederalista mas, não sou antieuropeu.
Até aqui estamos de acordo.
No entanto, quando V. se refere à forma da expressão do seu Não, aí é que a porca torce o rabo e eu não posso estar de acordo consigo.
Diz V. que do lado do Não, estão eurocépticos, antieuropeus, antifederalistas, gente da extrema esquerda, da extrema-direita e integralistas, e, acrescento eu, sociais-democratas, socialistas, conservadores e democratas-cristãos.
Argumenta V. que, em não gostando de misturas, não alinhará em nenhuma manifestação pública a favor do Não.
Perdoe-me, mas considero que V., que muito estimo por ser seu apanágio usar da maior urbanidade na análise dos fenómenos sociológicos e políticos da nossa praça, faz uso, neste particular, de uma argumentação perfeitamente indulgente e redutora.
Meu caro, eu pela minha parte, se houver campanha, estarei lado a lado, ombro com ombro, com essa gente toda.
Questiono-me se o António, alguma vez, terá assistido in loco a um jogo da nossa selecção nacional de futebol?
Se o António, alguma vez cantou a portuguesa de mão dada, ou de mão no peito e ficou com pele de galinha?
Já ?
Muito bem, então saberá do que lhe vou falar.
Meu caro António, esta história do Não é como assistir a um jogo da Selecção Nacional, por exemplo, no Estádio do Dragão.
Se já lá esteve terá observado adeptos do FC Porto, do Belenenses, do Sporting, do Cascalheira e do Benfica, unidos num gigantesco sentimento patriótico em prol da defesa dos interesses e das cores nacionais.
Salvaguardando as devidas proporções, também no próximo referendo é o supremo interesse nacional que está em causa, por isso, é de crucial importância que nos concentremos no essencial e esqueçamos o acessório, sabendo que, são mais, neste capítulo, os argumentos que nos unem do que os que nos separam.
Caro António, não podemos perder de vista o objectivo principal: Impedir que esta Constituição conheça a luz do dia e ganhe espaço de intervenção.
Se todos se enclausurarem nas suas trincheiras douradas, como V. supostamente pretende fazer, estamos todos cozidos.
Não se esqueça, caro António, arrepie caminho nessa sua enviesada posição: é que, todos seremos poucos.
(0158)
Ainda a propósito do Dia Mundial da Criança, recordo-me de que esta semana o Correio da Manhã, se não estou em erro, anunciava em letras garrafais na primeira página que faltam 50000 crianças em Portugal e que os portugueses não querem ter filhos.
Há que amiti-lo sem rodeios:
as sociedades ocidentais, mormente as europeias, estão em plena espiral de decadência muito por fruto de não se fazerem filhos.
As prioridades dos jovens adultos estão bem definidas e na maioria dos casos invertidas.
As pessoas pensam na casa, no carro, na carreira e no sucesso profissional e social, não pensam nos filhos, tão pouco em entregarem-se aos outros.
Constroem a vida à volta de si mesmas e do seu umbigo, apenas para elas.
Quando estas gerações perceberem que aquilo que conseguiram não se entregando aos outros e não tendo filhos é uma mão vazia e outra cheia de nada; quando perceberem que estão a caminhar, irremediavelmente, para uma terrível solidão, será tarde demais.
(0157)

Os agricultores holandeses vestiram as suas vacas com um irreverente "boo" à Constituição.
Agora, venceram.
Mais um "Não" contra a União Política.
(0156)

A propósito do Dia Mundial da Criança:
Dos Poemas Inconclusivos, de Caeiro
Criança desconhecida e suja brincando à minha porta,
Não te pergunto se me trazes um recado dos símbolos,
Acho-te graça por nunca te ter visto antes,
E naturalmente se pudesses estar limpa eras outra criança,
Nem aqui vinhas.
Brinca na poeira, brinca!
Aprecio a tua presença só com os olhos.
Vale mais a pena ver uma cousa sempre pela primeira ver que conhecê-la,
Porque conhecer é como nunca ter visto pela primeira vez,
E nunca ter visto pela primeira vez é só ter ouvido contar.
O modo como esta criança está suja é diferente do modo como as outras estão sujas.
Brinca! pegando numa pedra que te cabe na mão,
Sabes que te cabe na mão.
Qual é a filosofia que chega a uma certeza maior?
Nenhuma, e nenhuma pode vir brincar nunca à minha porta.
(0155)

Fiz aqui alusão a uma fantástica entrevista concedida por Plínio Apuleyo Mendoza, o actual embaixador da Colômbia em Portugal, em que se falou essencialmente da sua amizade, de toda uma vida, com Gabriel Carcía Marquez.
Ontem, n` O Botequim do Rei, foi apresentado o livro O Aroma da Goiaba, assinado pela dupla: Gabo-Plínio.
A história do livro remonta a 1982, quando Plínio falou ao seu velho amigo Gabo na possibilidade de lhe fazer uma entrevista que seria, depois, publicada em livro.
A proposta que a Plínio parecera, naquele momento, muito difícil de concretizar, uma vez que Garcia Marquez " não gosta de entrevistas “, foi, afinal, surpreendentemente acolhida com entusiasmo pelo escritor.
Gabo achou “ uma ideia do caraças ” porque “ dessa forma “ poderia “ dar por despachadas para sempre as entrevistas “.
Assim nasceu o livro que, pasme-se, duas décadas depois chegou ontem a Portugal.
Na entrevista, Garcia Marquez, aborda vários temas, mas faz essencialmente a apologia da amizade, dos filhos e da família.
Às sucessivas perguntas de Plínio sobre esses temas Gabo vai respondendo:
“ As amizades essenciais na minha vida foram sobrevivendo a todas as tempestades.”
“ Faz parte do meu carácter: nunca, em circunstância alguma, esqueci que na verdade da minha alma não sou ninguém mais nem serei ninguém mais do que um dos dezasseis filhos do telegrafista de Aracataca.”
“ Nos últimos 15 anos, quando a fama me caiu em cima como algo não procurado e indesejável, o meu trabalho mais difícil foi a preservação da minha vida privada. Consegui-o, mais restringida e vulnerável do que antes, mas o suficiente para que caiba nela a única coisa que afinal me interessa de verdade na vida, que são os afectos dos meus filhos e dos meus amigos.”
“ As minhas relações com os meus filhos são excepcionalmente boas, como tu dizes, pela mesma razão que te disse para a amizade. Por muito consternado, exaltado, distraído ou cansado que esteja, sempre tive tempo para falar com os meus filhos, para estar com eles desde que nasceram. Em nossa casa, desde que os nossos filhos têm o uso da razão, todas as decisões se discutem e se resolvem de comum acordo. Tudo é governado com 4 cabeças. Não o faço por sistema, nem porque pense que é um método melhor ou pior, mas porque descobri, de repente, quando os meus filhos começaram a crescer, que a minha verdadeira vocação é a de pai. Gosto de o ser, a experiência mais apaixonante da minha vida foi a de ajudar os meus 2 filhos a crescer, e creio que o que fiz melhor na vida não são os meus livros, mas sim os meus filhos. São como 2 amigos nossos, mas criados por nós mesmos.”
Pergunta Plínio: “ Partilhas os teus problemas com os teus filhos e com a Mercedes? “
Responde Gabo: “ Se os meus problemas são grandes, trato de os partilhar com eles. Se são muito grandes, é provável que recorra além disso a algum amigo que me possa ajudar com as suas luzes. Mas se são demasiado grandes não os partilho com ninguém”
(…)
“ O resultado, como é evidente, é uma úlcera do duodeno que funciona como uma campainha de alarme,e com a qual tive que aprender a viver, como se fosse uma amnte secreta, difícil e por vezes dolorosa, mas impossível de esquecer. “
Pois…