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junho 01, 2005

Gabriel García Marquez, O Aroma da Goiaba, 2005

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Fiz aqui alusão a uma fantástica entrevista concedida por Plínio Apuleyo Mendoza, o actual embaixador da Colômbia em Portugal, em que se falou essencialmente da sua amizade, de toda uma vida, com Gabriel Carcía Marquez.
Ontem, n` O Botequim do Rei, foi apresentado o livro O Aroma da Goiaba, assinado pela dupla: Gabo-Plínio.
A história do livro remonta a 1982, quando Plínio falou ao seu velho amigo Gabo na possibilidade de lhe fazer uma entrevista que seria, depois, publicada em livro.
A proposta que a Plínio parecera, naquele momento, muito difícil de concretizar, uma vez que Garcia Marquez " não gosta de entrevistas “, foi, afinal, surpreendentemente acolhida com entusiasmo pelo escritor.
Gabo achou “ uma ideia do caraças ” porque “ dessa forma “ poderia “ dar por despachadas para sempre as entrevistas “.
Assim nasceu o livro que, pasme-se, duas décadas depois chegou ontem a Portugal.
Na entrevista, Garcia Marquez, aborda vários temas, mas faz essencialmente a apologia da amizade, dos filhos e da família.
Às sucessivas perguntas de Plínio sobre esses temas Gabo vai respondendo:
“ As amizades essenciais na minha vida foram sobrevivendo a todas as tempestades.”
“ Faz parte do meu carácter: nunca, em circunstância alguma, esqueci que na verdade da minha alma não sou ninguém mais nem serei ninguém mais do que um dos dezasseis filhos do telegrafista de Aracataca.”
“ Nos últimos 15 anos, quando a fama me caiu em cima como algo não procurado e indesejável, o meu trabalho mais difícil foi a preservação da minha vida privada. Consegui-o, mais restringida e vulnerável do que antes, mas o suficiente para que caiba nela a única coisa que afinal me interessa de verdade na vida, que são os afectos dos meus filhos e dos meus amigos.”
“ As minhas relações com os meus filhos são excepcionalmente boas, como tu dizes, pela mesma razão que te disse para a amizade. Por muito consternado, exaltado, distraído ou cansado que esteja, sempre tive tempo para falar com os meus filhos, para estar com eles desde que nasceram. Em nossa casa, desde que os nossos filhos têm o uso da razão, todas as decisões se discutem e se resolvem de comum acordo. Tudo é governado com 4 cabeças. Não o faço por sistema, nem porque pense que é um método melhor ou pior, mas porque descobri, de repente, quando os meus filhos começaram a crescer, que a minha verdadeira vocação é a de pai. Gosto de o ser, a experiência mais apaixonante da minha vida foi a de ajudar os meus 2 filhos a crescer, e creio que o que fiz melhor na vida não são os meus livros, mas sim os meus filhos. São como 2 amigos nossos, mas criados por nós mesmos.”
Pergunta Plínio: “ Partilhas os teus problemas com os teus filhos e com a Mercedes? “
Responde Gabo: “ Se os meus problemas são grandes, trato de os partilhar com eles. Se são muito grandes, é provável que recorra além disso a algum amigo que me possa ajudar com as suas luzes. Mas se são demasiado grandes não os partilho com ninguém”
(…)
“ O resultado, como é evidente, é uma úlcera do duodeno que funciona como uma campainha de alarme,e com a qual tive que aprender a viver, como se fosse uma amnte secreta, difícil e por vezes dolorosa, mas impossível de esquecer. “
Pois…

Publicado por Patrick Blese às junho 1, 2005 12:56 PM