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junho 03, 2005

CE: Carta a António Barreto: O Não, a Selecção Nacional e os Clubes

(0159)
Caro António Barreto,
Permita-me que o trate, cordialmente, por António.
Tomo a liberdade de lhe escrever para lhe dizer que li, no Sítio do Não, o post onde V. se pronuncia, muito sabiamente, a favor do Não.
Também eu, sou antifederalista mas, não sou antieuropeu.
Até aqui estamos de acordo.
No entanto, quando V. se refere à forma da expressão do seu Não, aí é que a porca torce o rabo e eu não posso estar de acordo consigo.
Diz V. que do lado do Não, estão eurocépticos, antieuropeus, antifederalistas, gente da extrema esquerda, da extrema-direita e integralistas, e, acrescento eu, sociais-democratas, socialistas, conservadores e democratas-cristãos.
Argumenta V. que, em não gostando de misturas, não alinhará em nenhuma manifestação pública a favor do Não.
Perdoe-me, mas considero que V., que muito estimo por ser seu apanágio usar da maior urbanidade na análise dos fenómenos sociológicos e políticos da nossa praça, faz uso, neste particular, de uma argumentação perfeitamente indulgente e redutora.
Meu caro, eu pela minha parte, se houver campanha, estarei lado a lado, ombro com ombro, com essa gente toda.
Questiono-me se o António, alguma vez, terá assistido in loco a um jogo da nossa selecção nacional de futebol?
Se o António, alguma vez cantou a portuguesa de mão dada, ou de mão no peito e ficou com pele de galinha?
Já ?
Muito bem, então saberá do que lhe vou falar.
Meu caro António, esta história do Não é como assistir a um jogo da Selecção Nacional, por exemplo, no Estádio do Dragão.
Se já lá esteve terá observado adeptos do FC Porto, do Belenenses, do Sporting, do Cascalheira e do Benfica, unidos num gigantesco sentimento patriótico em prol da defesa dos interesses e das cores nacionais.
Salvaguardando as devidas proporções, também no próximo referendo é o supremo interesse nacional que está em causa, por isso, é de crucial importância que nos concentremos no essencial e esqueçamos o acessório, sabendo que, são mais, neste capítulo, os argumentos que nos unem do que os que nos separam.
Caro António, não podemos perder de vista o objectivo principal: Impedir que esta Constituição conheça a luz do dia e ganhe espaço de intervenção.
Se todos se enclausurarem nas suas trincheiras douradas, como V. supostamente pretende fazer, estamos todos cozidos.
Não se esqueça, caro António, arrepie caminho nessa sua enviesada posição: é que, todos seremos poucos.

Publicado por Patrick Blese às junho 3, 2005 01:45 AM