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maio 18, 2005

O segredo do sucesso transitório do Bloco de Esquerda

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A génese da Extrema-Esquerda que o Bloco representa é elitista e singra porque vende a ilusão de ser um partido “moderno”, “fracturante com o sistema”, “ aberto”, “defensor das minorias oprimidas” e apologista “do relativismo moral generalizado”.
O Bloco não é, ao contrário do que apregoa, um partido de bases, do proletariado, que represente a classe trabalhadora, é antes, um partido com quadros e militantes provenientes da média e alta burguesia urbana, onde se defendem conceitos teóricos que não têm correspondência com o que praticam no quotidiano.
A constatação desta evidência traduz-se no facto de que quem fala pelo Bloco é gente que está bem na vida, o que conduz a que a organização seja um movimento pedante, que se arroga uma superioridade moral e intelectual insuportável e intolerável e que tem crescido, por um lado, à custa da pregação da sua doutrina libertária e, por outro, pelo recurso à utilização de uma espécie de cartilha maternal que usa e abusa do recurso à aversão à economia de mercado e à manipulação de factos para atingir objectivos políticos.
Esta fórmula, que é de uma grande simplicidade, tem conduzido, para já, ao sucesso eleitoral, senão vejamos: como não há ideologia e se vende a ideia de que é um partido sem barões, em que todos são iguais, a jovem turba vai ao rubro.
E isto acontece, porque é impossível escamotear que vivemos cada vez mais numa sociedade em que o relativismo moral conduz a que os valores entrem numa catadupa de decadência, o que, não só , vai de encontro aos interesses da organização esquerdista, como potencia todo um campo de recrutamento, aparentemente inesgotável para o Bloco, e que tem produzido um pasto fértil de captação de votos junto de uma certa juventude urbana de esquerda jet-set que, apesar de tudo, não se identifica com o imobilismo e a ortodoxia do velho PCP.
E esta concentração de votos nas malhas urbanas, como se sabe, com o método de Hondt, é uma verdadeira mina.


Publicado por Patrick Blese às maio 18, 2005 12:42 AM