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maio 11, 2005

O gosto pelo risco, o que dizem os “gurus”

(0110)
Este sábado, no suplemento de Economia do Expresso, ( infelizmente com edição on-line só para assinantes ) , no chamado Exame do Conselho dos Doze, dirigido pelo jornalista Daniel Deusdado, que funciona como um barómetro do estado da Economia, justamente 12 personalidades do mundo financeiro respondem a 3 questões colocadas pelo semanário, sendo uma delas a seguinte: “ sugira medidas para estimular o gosto pelo risco em Portugal.”
Gostava de dizer duas coisas sobre esta matéria.
Em primeiro lugar, salientar que dos 12 magníficos, apenas Pinto Balsemão tem autoridade moral para responder à questão.
Os outros ( estamos a falar de Carrapatoso, Miguel Beleza, Augusto Mateus, Salgueiro, Mira Amaral, Medina Carreira, Henrique Neto, etc) não são Empresários.
São gestores, o que é completamente diferente.
Gerem, ou ajudam a gerir, o dinheiro dos outros.
Podem opinar sobre “o gosto pelo risco“, como eu “sobre a nobre ciência do cultivo da beterraba”.
Vale o que vale, é uma opinião.
Falta-lhes a autoridade moral que advém do facto de terem, ou não, dado o corpo ao manifesto.
Em segundo lugar, dizer que como não podia deixar de ser, tão proeminentes "empresários" desbobinaram, quase todos, um rol de disparates, ainda por cima com um denominador praticamente comum: todos reclamam subsídios para os jovens empresários, mesmo para os que tenham falhado em projectos anteriores.
Nenhuma destas alminhas falou em projectos credíveis e inovadores, em força de vendas ou em angels business.
Não!
Subsídios, e estatais é o que a malta acha que faz falta.
Atribuiram ainda, grosso modo, importância ao seguinte:
- flexibilização da legislação laboral;
- redução drástica da “papelada” e da intervenção administrativa discricionária que bloqueia a iniciativa empresarial;
- apoiar o investimento no estrangeiro, com dedução durante x anos, nos impostos da empresa-mãe, dos prejuízos da empresa-filha, ou seja, da empresa que arranca fora das fronteiras nacionais.

- Atribuir aos empreendedores que criassem empresas e postos de trabalho um crédito fiscal de valor igual ao capital social das novas empresas, válido por 7 anos.
E como não podia deixar de ser:
- o Estado deverá financiar adequadamente o risco.
Esqueceram-se de dizer que o gosto pelo risco é contrário ao ser português e que a cultura do risco não pode ser imposta por decreto ou medidas avulsas.
Mas sobre isso falarei a seguir.

Publicado por Patrick Blese às maio 11, 2005 01:20 AM