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maio 15, 2005
Kumba Ialá, esse democrata
(0121)

João Miranda, no Blasfémias, manifesta grande satisfação porque " afinal, o voto ainda vale alguma coisa" e acrescenta que " a democracia está de parabéns", tudo isto a próposito da auto-aclamação de Ialá como Presidente da República da Guiné-Bissau.
Sendo o Blasfémias um dos melhores e mais lidos blogues portugueses devia, como é bom de perceber, de abster-se de escrever disparates desta dimensão.
Ialá ganhou as eleições por duas razões fundamentais: por um lado, por pertencer à étnia maioritária no país, os balantas, tendo por via disso o apoio esmagador dos chefes tribais, e por outro lado, porque os guineenses estavam fartos até ao fundo das raízes capilares do partido único, o PAIGC.
Mas Ialá cometeu sucessivos abusos de poder, promoveu a dissolução do Parlamento com o único intuito de indigitar um governo de iniciativa presidencial, e, para isso não se coibiu de ordenar consecutivas prisões arbitrárias e prepotentes de opositores políticos e jornalistas.
Ialá queria era deixar cair o multipartidarismo e regressar ao partido único, sendo que a diferença é que, agora, tratar-se-ia do "seu partido único".
Mas para o blasfemo Miranda,pelos vistos, Ialá é um democrata e a Guiné- Bissau uma democracia exemplar.
Publicado por Patrick Blese às maio 15, 2005 11:33 PM
