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maio 13, 2005
Gabriel García Márquez, Memórias das minhas putas tristes, 2005
(0114)

Uma leitura altamente recomendada sobre velhice e amor.
Márquez, com 80 anos e a lutar há 20 contra um cancro, outra vez em grande forma.
No ano dos meus noventa anos quis oferecer a mim mesmo uma noite de amor louco com uma adolescente virgem. Lembrei-me de Rosa Cabarcas, a dona de uma casa clandestina que costumava avisar os seus bons clientes quando tinha uma novidade disponível. Nunca sucumbi a essa nem a nenhuma das suas muitas tentações obscenas, mas ela não acreditava na pureza dos meus princípios. A moral também é uma questão de tempo, dizia com um sorriso maligno, tu verás. Era um pouco mais nova do que eu e não sabia dela há tantos anos que bem podia já ter morrido. Mas ao primeiro toque reconheci a sua voz ao telefone e disparei sem preâmbulos:
-Hoje sim.
Ela suspirou: Ai, meu sábio triste, desapareceste vinte anos e voltas para pedir impossíveis.
Publicado por Patrick Blese às maio 13, 2005 12:37 AM
