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maio 04, 2005
Almeida Santos: o legislador
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Ontem, chorei de tanto rir enquanto almoçava com um antigo colega de curso e relembravamos os nossos tempos de estudante e em especial algumas das orais que fizemos.
Como ando sem tempo para grandes escritas recupero, aqui, um post que me lembrei ter escrito no Senhora do Monte.
Aos leitores mais atentos peço desculpa pela repetição, mas "a vidinha não está fácil".
O post rezava assim:
Durante o meu curso de Direito, quando se falava no “espírito da lei”, ou no “legislador”, pensava sempre em Almeida Santos.
Muitas vezes, nas orais – nas aulas era difícil apanharem-me – referia-me ao legislador dizendo que “ o que o Dr. Almeida Santos queria dizer, era que…”.
Normalmente, os Professores achavam graça.
O ambiente desanuviava e era mais fácil a partir desse momento, debitar a minha pouca ou muita sapiência.
Pois é, sempre que estava em dificuldades, usava o truque do “ Legislador Almeida Santos”, ganhando, com isso, tempo para reflectir e em simultâneo conseguindo eliminar os sempre incómodos silêncios castigadores e reveladores de imperdoável ignorância.
Quer dizer, uma coisa é o aluno evidenciar a sua falta de conhecimentos sobre o questionado em silêncio absoluto, outra coisa, é ir pensando em respostas alternativas, enquanto entretém o Professor com larachas.
Por outro lado, a turba, sedenta de sangue, que normalmente assiste às orais sempre goza o pagode e ajuda a suavizar a ignorância.
Quando necessitava mesmo de muito tempo para reflectir, voltava a valer-me do velho e companheiro Dr. Almeida Santos e contava uma piada que ouvi da boca do próprio: “ Um dia apanhou um táxi à porta da Assembleia e o “fogareiro” retorquiu-lhe: "Boa tarde, somos colegas!" Almeida Santos respondeu que devia haver engano uma vez que ele não era taxista. O esforçado motorista disparou de pronto: Não! Não! Eu é que sou advogado.”
A coisa resultava sempre, cada Professor, normalmente após ouvir estas milagrosas palavras ficava a debitar palavreado em média durante 5 minutos. Falavam sobre o desemprego que assolava os licenciados em Direito, sobre as diferentes saídas profissionais e sobre o excesso de cursos jurídicos.
Ora, isso, permitia-me reflectir e rebobinar mentalmente o que tinha estudado na véspera e normalmente encontrava a argumentação correcta para desmontar as questões tão argutamente colocadas pelos docentes.
Quando voltavam à carga, já eu estava armado até aos dentes para responder a tudo e acertar invariavelmente no 12 da ordem!
Como esta bom de ver Almeida Santos, sem o saber, foi de uma importância transcendental para que eu pudesse concluir o cursito.
Almeida Santos merecia até que eu fosse militante do PS.
Mas as coisas são como são e nesse particular nada há a fazer!
Hoje, (dia 20/1/2005)Almeida Santos concedeu esta entrevista ao DN.
Se não quiserem ler tudo, fiquem pelo título e por esta passagem:
“ Quando era ministro fazia os diplomas do meu ministério e os diplomas dos outros. Fazia muitos e fazia-os depressa. E, aparentemente, não fazia mal porque a maioria ainda está em vigor.”
Com a leitura da entrevista fiquei a saber que Mouzinho da Silveira também fez muitos diplomas, mas copiou grande parte, das leis francesas.
Portanto não conta!
Esperei até hoje, mas a razão veio ao de cima!
O Homem é mesmo o Legislador!
Publicado por Patrick Blese às maio 4, 2005 01:44 AM
