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maio 19, 2005

A falta de ambiente, o cinismo do CSKA e os equívocos de Peseiro

(0133)
Nota prévia: Um abraço de solidariedade a todos os sportinguistas.

Ontem fui ao Estádio de Alvalade, com amigos lagartos, assistir à final.
Do que vi, realço, quatro aspectos, mas deixo um para um post autónomo:
Primeiro:
O Sporting não beneficiou do factor casa já que um milhar de calorosos russos fez mais chinfrim do que 30.000 mil adeptos do Sporting.
A corrente não passou fruto, em grande medida, do futebol desgarrado do conjunto leonino que não conseguiu empolgar.
Mas justifica-se uma questão: para que querem os adeptos portugueses uma final caseira se depois vão para o estádio e em vez de fazerem a festa levam 90 minutos em gélido silêncio ou a assobiar e impacientar a sua equipa?
Segundo:
O CSKA é uma das equipas mais cínicas que já vi jogar ao vivo.
Muito longe de praticarem um futebol enleante e deslumbrante, apareceram munidos do cerebral Carvalho a mexer os cordelinhos e dez colegas altos, secos e bons de bola, que sem carecerem de grandes posses de bola, desferem rápidas e certeiras estocadas, quase sempre mortais, nos adversários.
Futebol simples, eficaz e arrepiante.
Terceiro:
Peseiro.
É um tipo sem qualquer capacidade para ler o jogo a partir do banco.
Não antecipa cenários, não “cheira” nem sente o jogo, não prevê manobras, não passa voz de comando.
Os jogadores de campo andam perdidos, os do banco baixam a cabeça, os dirigentes exasperam, os sócios assobiam e desesperam.
Exemplos da falta de “visão”:
1- Apostar de inicio num claro 4x4x4, com Barbosa encostado à esquerda, como um extremo à moda antiga, quando os desiquilibrios que se conhecem ao capitão leonino nessa zona só acontecem quando ele “não está lá”, mas antes “aparece lá”, que como se sabe é completamente diferente.
2- Não perceber que contra uma equipa que apresentou 4 linhas, muito bem definidas no campo, num claro 3x4x1x2, começar com 2 pontas de lança foi meter-se na boca do lobo e encaixar na perfeição na marcação dos russos.
Cá de fora só um ceguinho não via isso.
Demonstrou não conhecer em profundidade o adversário, ou, se conhecia e foi surpreendido, mostrou à saciedade não ter destreza, leitura e ginástica mental para responder com prontidão aos desiquilibrios que o jogo lhe trouxe à colação.
3- Como foi possível manter em campo Barbosa, esse farol da dinâmica do futebol lagarto, sem reacção, sem rasgo, sem ambição e com um amarelo, até ao apito final da partida?
4- Que critério utilizou para deixar de fora Rui Jorge, revoltando os colegas de equipa por este perder o jogo da sua vida, Douala e, principalmente, Custódio o único, pelas suas características, que se previa poder vigiar com êxito o endiabrado Carvalho?
5- Como é possível entrar o vulgar Niculae antes do camaronês?
6- A que alto critério obedeceu a troca de Moutinho por Viana a 2 minutos do fim, com 1-3 no placard, a não ser o de o barcelense inscrever o seu nome na ficha de jogo e agradar ao seu padrinho?
7- Como só reagir, a partir de intervenção vinda do banco, aos 25 minutos da 2º parte e depois do 1-2 que já se adivinhava há alguns minutos?
8- Sabiam que Enak estava parado há 30 dias?
E podiamos ficar aqui a tarde toda...

Publicado por Patrick Blese às maio 19, 2005 04:50 PM