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abril 11, 2005

Portugal: Vende-se pela melhor oferta

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Sobre as três próximas deslocações oficiais de José Sócrates, mas fundamentalmente sobre a primeira, que é a Espanha, Paulo Gorjão, no Bloguítica e o Raio, no Cabalas, apresentam visões diferentes.
Sendo dois blogues que catalógo, aqui à esquerda, como pertencentes à minha Super Liga, costumo lê-los frequentemente e tenho ideia de serem ambos homens próximos do PS ou, pelo menos, de esquerda.
Mas vamos ao essencial da questão: em síntese, José Sócrates pede a abertura do mercado espanhol às empresas portuguesas e diz que são três as suas prioridades em matéria de política externa: Espanha, Espanha e Espanha; e diz isso, ipsis verbis, aos órgãos de comunicação social espanhóis.
Paulo Gorjão, diz que “nem vale a pena salientar a importância do que está em jogo para Portugal e que a viagem a Espanha tem, nitidamente, a vontade de transmitir um sinal político sobre a prioridade que Espanha representa para Portugal”, dando desta forma, a entender a sua concordância sobre as declarações de Sócrates, ou pelo menos, que estas não lhe causam qualquer engulho.
O Raio, coloca a tónica no facto de Sócrates “ ir de chapéu na mão ( para não dizer de calças na mão ) pedir a Zapatero uns favorezinhos e permitir que algumas empresas portuguesas vendam qualquer coisa em Espanha.”
Eu devo dizer o seguinte:
Como ambos sabem, temos sido nos últimos anos positivamente invadidos pelos espanhóis em, praticamente, todas as áreas de actividade.
Este fenómeno, de sentido único, tem a ver com o facto dos espanhóis terem sido capazes de escolher um modelo de sociedade progressista e moderno, voltado para o futuro, em oposição ao nosso modelo retrógrado.
A Espanha abraçou o modelo de Ortega Y Gasset e tornou-se uma Espanha progressista, aberta, sem medo do desconhecido, disposta a assumir riscos, empreendedora, de justiça social, de pleno emprego e fortemente intelectual, ao ponto de nós, nem sequer sermos capazes de aproveitar a brecha que é aberta pelos problemas que têm com as Autonomias e os Nacionalismos.
Nós somos retrógrados, estatistas, não temos visão e o empreendorismo que existe, principalmente nas camadas mais jovens e que por certo deriva ainda e directamente dos nossos antepassados de Quinhentos, esbarra e é asfixiado pela burocracia do Estado.
Esta aqui a resposta à pergunta levantada pelo Raio, quando interroga e muito bem: “ O Primeiro-Ministro quer que o mercado espanhol se abra a Portugal. Mas como? Não estava já aberto? “
Estava.
Claro que estava.
E está.
Os mercados são abertos e estão todos abertos.
A questão não é essa.
O que acontece é que os espanhóis, estão compradores, não estão vendedores.
Nós, estamos vendedores, não estamos compradores.
Eles, são dinâmicos, empreendedores e arriscam.
Nós, choramos o nosso triste Fado.
Esta é a questão!
Em Portugal, à 2ª feira, os governantes e os empresários proclamam aos sete ventos ser preciso manter os centros de decisão dos grandes grupos económicos no nosso país e depois, à 3ª feira, vão a correr vender os seus grupos aos espanhóis na maior das impunidades.
Não existem sanções!
Tão pouco a sociedade os censura moralmente!
Eu digo: há que apelar a todos os patriotas no sentido de sancionarem e reprovarem estes comportamentos.
Hoje, ouvem-se muitas conversas de café e de táxi, em que portugueses, de forma completamente conformada, estúpida e leviana, dizem que o melhor é integrarmo-nos em Espanha.
E não são tão poucos, quanto isso, os que assim pensam.
Logicamente que isto revela nada conhecerem da nossa História e não haver noções básicas de patriotismo.
Dois séculos antes de haver Espanha já nós éramos Portugal, nós temos nove séculos de História Independente.
José Sócrates devia saber isto.
Podia e devia visitar Espanha, mas as declarações que fez colocando-se numa posição de desajeitada subserviência perante o governo de nuestros hermanos, devem ser fortemente condenadas por todos os portugueses patriotas.
Há portugueses que estão à venda e isso para mim é repugnante.


Publicado por Patrick Blese às abril 11, 2005 02:51 AM