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abril 20, 2005
Os caminhos ortodoxos do catolicismo
(0061)
Sinceramente não esperava que a escolha do Conclave recaísse no Cardeal Ratzinger.
Na minha opinião de leigo, preferia outra solução, isto é, penso que esta foi a escolha do rigor dogmático e da ortodoxia da doutrina social da Igreja, que vai acentuar ainda mais o que de negativo nos trouxe, o globalmente extraordinário, pontificado de Sua Santidade João PauloII.
Escrevi aqui sobre João Paulo II que confessava " não ter apreciado o seu exagerado conservadorismo quanto a alguns comportamentos sociais, mas que a sua acção deveria ser analisada na sua integralidade" e é justamente neste aspecto, menos positivo, que receio que a ortodoxia do novo Papa não permita à Igreja abraçar novos Mundos.
Por outro lado, Ratzinger é um intelectual da Igreja, alguém do centro nevrálgico da Curia Romana que, por aquilo que vou acompanhando, me habituei a ver como um político puro e duro, o que o afasta da minha figura ideal de Papa.
É o homem do Não.
Não à ordenação das mulheres;
Não à homossexualidade;
Não ao aborto, que vê como um atentado contra a vida e uma verdadeira cultura da morte;
Não ao casamento dos padres;
Não ao preservativo;
Não aos novos ares da sexualidade;
Não ao Comunismo;
Não ao Individualismo e ao Capitalismo;
Não à Turquia;
Não, Não e Não.
Não é que eu esteja em desacordo com a maioria destas negações, mas penso que a Igreja tem que fazer um esforço grande no sentido de acompanhar as mudanças dos novos tempos, sob pena, de perder fiéis e não arregimentar novos crentes e, com toda a franqueza, não me parece que esta escolha seja uma boa resposta para este problema.
Sei no entanto, que Ratzinger é um homem extremamente culto e inteligente, de opiniões muito firmes, fidelíssimo à Igreja e a Sua Santidade João Paulo II, grande teólogo e grande doutrinador que esteve por trás do Concílio Vaticano II que, como se sabe, na prática significou a abertura da Igreja Católica ao Mundo, o que o torna, por este lado, altamente recomendável para a função.
É também um homem de Paz, que recrimina todo o tipo de Guerra, incluindo a preventiva e, estou seguro, continuará a colocar a Igreja ao lado dos fracos, dos oprimidos e de todos os desfavorecidos.
Na minha opinião,o seu sucesso ou insucesso deverá passar, por um lado, pelas respostas que encontrar para questões para as quais, a Igreja deverá olhar com alguma abertura e ares de modernidade e que se prendem com as matérias da sexualidade nos tempos de hoje e, por outro lado, para aquela que é, do meu ponto de vista, a prioridade máxima da Igreja católica: aprofundar o diálogo inter-religioso que acredito ajudará ao fortalecimento de fortes compromissos de Paz, conduzirá à liberdade religiosa e afastará crenças assustadoramente dogmáticas que têm conduzido àquilo que todos sabemos.
Também por ser grande apologista do ecumenismo, entendido no sentido de desejo de estabelecimento de laços entre todos os povos de modo a ser formada uma única família em todo o mundo, também por isso, repito, esperava que o novo Papa fosse de fora da Europa, logo, que não fosse Ratzinger.
Publicado por Patrick Blese às abril 20, 2005 12:23 AM
