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abril 09, 2005
O Saneamento a fazer no PSD
(0034)
A primeira medida que um líder corajoso implementaria no Partido, a par das Directas, passaria pelo saneamento ou limpeza de balneário, que urge ser feita e cuja necessidade se explica da seguinte forma:
O PSD nasceu poucos dias após a Revolução de Abril e, embora abstendo-me de abordar aqui a sua evolução histórica, sempre diria que desde logo agrupou gente do centro e uma boa parte da direita portuguesa.
O Partido formou-se à volta da ala liberal do Marcelismo, de militantes de movimentos católicos e dos tecnocratas da SEDES, tendo-se rapidamente tornado num partido abrangente de toda a sociedade, interclassista, com uma fortíssima implantação nacional, (especialmente no Norte, no Centro e nas Ilhas), que juntou jovens e velhos, gente rural e urbana, pequenos e médios empresários e gente de todas as actividades profissionais.
Posto isto diria o seguinte:
O PSD tem sido ao longo dos anos um Partido sem ideologia.
Eu diria que tem sido um Partido pragmático, que se adapta rapidamente à realidade e que governa.
É como se sabe, o Partido que mais tempo esteve no Governo desde a implantação do regime democrático.
É por isso um Partido de poder.
E quando assim é, corre-se o risco do aparelho partidário tender a alimentar-se desse poder.
É o que acontece no PSD.
No partido, desde sempre, convivem as bases e as classes dirigentes.
As chamadas bases e o aparelho são, nem mais, nem menos que, os indivíduos que estão sempre à espera de um emprego no Estado, que pretendem um lugar para o filho em qualquer organismo público ou que vivem à míngua de um concurso público ou da adjudicação de um qualquer serviço ou obrazita.
Não tenhamos ilusões que, em grande medida, as bases e o aparelho do PSD encaixam que nem uma luva neste diagnóstico e é preciso assumi-lo com clareza.
É evidente que também no PSD existem os basistas que correm apenas pelo copo de vinho tinto, do courato, do arroz de salpicão e do caldo verde, mas a tal cultura de poder, faz com que o número destes basistas seja inferior ao número de militantes deste mesmo naipe que encontramos noutros partidos.
As classes dirigentes do Partido, por sua vez, costumam dizer que querem estar próximo das bases e dar-lhe voz.
Não há nada mais demagógico do que isto.
É este discurso que faz com que as bases, que se alimentam do poder, tenham conseguido, perante a complacência dos líderes, cultivar o carreirismo, o cacique e o clientelismo, transformando o aparelho do Partido num autêntico viveiro de funcionários e fazendo com que as sedes das distritais, das concelhias e das várias secções sejam autênticas agências de colocação de empregos.
É preciso coragem para inverter este processo e sanear grande parte destes carreiristas profissionais.
Publicado por Patrick Blese às abril 9, 2005 01:11 PM
