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abril 27, 2005
Gabriel García Márquez, Cem Anos de Solidão, 1967
(0082)

Acabando de assistir a uma fantástica e sentida entrevista do Senhor Embaixador da Colômbia no nosso país, amigo pessoal de Gabo, lembrei-me desta passagem, sempre actual, da obra prima do Mestre, quando a páginas tantas, o coronel Aureliano Buendía, enquanto aguarda a hora de se colocar diante do pelotão de fuzilamento, inicia este diálogo:
" - Diz-me uma coisa, compadre: porque lutas?
- Porque tem de ser, compadre - respondeu o coronel Gerineldo Márquez. - Pelo grande Partido Liberal.
- Que sorte tens em sabê-lo - respondeu ele. - Eu, pela parte que me toca, só agora me apercebo que luto por orgulho.
- Isso é mau - disse o coronel Gerineldo Márquez.
O coronel Aureliano Buendía ficou divertido com o seu sobressalto. "Naturalmente", disse. "Mas em todo o caso é melhor isso do que não saber por que se luta." Olhou-o nos olhos e acrescentou a sorrir:
- Ou lutar como tu, por uma coisa que não significa nada para ninguém.
Publicado por Patrick Blese às abril 27, 2005 12:01 AM
